segunda-feira, 24 de novembro de 2014

SOLENIDADE DE JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

“O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder,
a divindade, a sabedoria, a força e a honra.
a ele glória e poder através dos séculos” (Ap 5,12; 1,6).

            Celebramos o último domingo do Tempo Comum com a Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo. “O reino de Jesus é reino de justiça, vida e liberdade. Depende de nós aceitar e antecipar a vinda desse reino, constituindo-o pelo nosso empenho pessoal, familiar, comunitário e profissional. Hoje celebramos também o dia do leigo e da leiga.
          Porque nos ama, Deus cuida de cada um com justiça. Pela ressurreição de Cristo, recebemos vida nova, que precisa ser preservada. Jesus nos deixa alguns critérios para saber se estamos ou não no caminho do reino. ‘Vinde, benditos de meu Pai! Recebei como herança o reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo!’ (Mt 25,34).
          O bom pastor não descansa enquanto há ovelhas a ser resgatadas. O que nos faz sentar ao lado de Cristo, rei do universo, é a caridade praticada em favor do necessitado. Cristo, ressuscitado e rei do universo, é o senhor da história e da humanidade” (cf. Liturgia Diária de Novembro de 2014 da Paulus, pp. 80-83).
          O Ano Litúrgico termina com a festa de Cristo-Rei. E fica a pergunta: quem é esse Cristo-Rei para a comunidade reunida para celebrar o memorial da páscoa? Interessante que a primeira leitura mostra em que consiste a realeza de Deus: ela é serviço à liberdade e à vida das pessoas, sobretudo das que são impedidas de viver. O Evangelho, por sua vez, nos compromete radicalmente com a prática da justiça, traduzida em solidariedade e partilha com todos os necessitados, vendo neles o próprio Cristo e sacramento da salvação. Jesus hoje continua nos desafiando colocando-nos diante dos irmãos menores e mais fracos.
          Paulo, por sua vez, com a ressurreição de Jesus comprova a vitória da justiça. Dentro de nós há uma semente de ressurreição, de justiça, de partilha e solidariedade.
          Jesus fala das obras de misericórdia ensinadas pelo judaísmo: dar de comer aos famintos, dar de beber aos que tem sede, acolher o estrangeiro, vestir os nus, visitar os doentes, acrescentando a visita aos prisioneiros; não menciona, porém, a educação dos órfãos e o sepultamento dos mortos, que também faziam parte das recomendações. Quem não praticou essas obras perdeu a oportunidade de fazer isso ao próprio Jesus presente nos necessitados. Se ele está nos irmãos, ele está no meio de nós em todos os lugares e momentos.   
          O Reino de que Jesus fala é um reino não de poder, mas sim de serviço: “O Filho do homem não veio para ser servido. Ele veio para servir” (Mt 20,28). Esse é o critério do julgamento. Entrar no reino supõe que os discípulos tenham seguido os passos do pastor, do mestre a serviço de todos, especialmente dos mais necessitados.
          Celebrando a realeza de Jesus, ressuscitado pela justiça e misericórdia de Deus, somos julgados pelos pobres mais pequeninos. É possível proclamar a realeza de Cristo enquanto seus irmãos prediletos são excluídos da liberdade e do direito à vida digna? Chamá-lo de Cristo Rei e deixá-lo com fome, com sede, sem casa, nu, doente, aprisionado, sem direito à educação em nosso meio? “Entre nós está, e não o conhecemos, entre nós está e nós o desprezamos”.
          É tempo de parada e de avaliação, tendo diante dos olhos Jesus Cristo, Rei do Universo, o Ressuscitado e na nossa frente os irmãos pobres e abandonados, lembrados por Jesus no Evangelho.
          Rezando neste domingo, especialmente pelos Leigos e Leigas,  lembramos que somos chamados pela consagração batismal à missão profética, sacerdotal e régia para transformar o mundo no Reino de Deus.
          Quando nos referimos à festa de Cristo Rei do Universo, certamente como os próprios apóstolos, imaginamos majestade, magnitude, poder, prestígio, honras e tapetes aveludados... Gosto do modo como Deus dribla a humanidade do começo ao fim da História da Salvação, História Amorosa para com a Humanidade! Ele nos surpreende com Sua simplicidade, que até escandaliza alguns. Deus, em Jesus Cristo, Rei do Universo, é muito mais simples do que O complicamos. Espera de cada um de nós, igual humildade, sobretudo em relação aos mais fracos e menos favorecidos por nossa cruel e hipócrita sociedade!
Muitos de nós nos contentamos com as “ovelhas” que nos procuram e obedientemente participam e servem nossas Comunidades. Acomodados às nossas salas de atendimento, celebrações de sacramentos, temos dificuldades de exercer nossa missão profética, sacerdotal e real de sermos, de uma vez por todas uma IGREJA DO IR! Irmos em busca das “periferias existenciais”, como tanto o Papa Francisco insiste. Elas, geralmente, são nossos desafios, nos desinstalam e nos dão trabalho. Mas é lá que encontramos o verdadeiro Rei do Universo, estampado no rosto sofrido e nem poucas vezes no mau cheiro de nossos irmãos, os mais surrados pela nossa Cultura do Descartável.
Com freqüência fazemos acepção às ovelhas gordas, bem como às mais bonitinhas e bem tratadas, chutando as machucadas ou excluindo as que representam ameaça ao nosso próprio prestígio ministerial. Isso, lamentavelmente, acontece entre ministros ordenados e não. Que nossas Comunidades sejam, de verdade, mais acolhedoras e saibam viver a profunda ternura entre o rebanho, a Igreja!
Desejando-lhes abundantes bênçãos, com ternura e gratidão, nosso abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Ez 34,11-12.15-17; Sl 22(23); 1Cor 15,20-26.28 e Mt 25,33-46).

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sábado, 15 de novembro de 2014

TRIGÉSIMO TERCEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM


COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS
Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Meus pensamentos são de paz e não de aflição,
diz o Senhor. Vós me invocareis,
e hei de escutar-vos, e vos trarei de vosso cativeiro,
de onde estiverdes” (Jr 29,11s.14).

            A Palavra de Deus do Trigésimo-Terceiro Domingo do Tempo Comum, apresenta-nos a Parábola dos Talentos. Atraídos por Jesus, “reunimo-nos para celebrar a sua páscoa, pedindo-lhe que nos torne comunidade vigilante e responsável na administração dos dons que Deus nos concede. Participando da alegria do Senhor, queremos ouvir dele:  ‘Empregado bom e fiel, eu lhe confiarei muito mais’.
          Deus concede às pessoas muitos dons. Sua Palavra nos convida a ser habilidosos e vigilantes para administrar esses dons e fazê-los frutificar para o bem de todos.
          A mulher virtuosa e temente a Deus é bênção para toda a família. A vigilância verdadeira consiste em trabalhar os talentos recebidos para construir o reino de Deus. A vigilância cristã deve ser contínua.
          Com a Eucaristia, Deus renova em nós o dom do compromisso com a edificação do reino celeste. Convidados ao banquete eucarístico, participamos da alegria do Senhor” (cf. Liturgia Diária de Novembro de 2014 da Paulus, pp. 60-63).
          A primeira leitura deste domingo faz o elogio de uma mulher ideal, exemplo de pessoa sábia: sua administração e sabedoria são completas. É a sabedoria em ação; o homem depende dela; tem capacidade para os negócios; ela é o contrário da pessoa preguiçosa, insensata e sem responsabilidade de que o Evangelho nos fala.
          A mulher aqui descrita é a personificação da sabedoria. Sabedoria significa o sentido que damos à vida e a tudo que a partir dela realizamos. O sentido da vida passa a ser a nossa esposa-companheira-ideal, capaz de recriar, colocar sabor àquilo que faz parte do nosso dia-a-dia. Essa mulher é inspiração e fama do marido, na cidade e na comunidade, mãe zelosa dos filhos que somos nós nas labutas diárias. O marido e os filhos são discípulos da sabedoria, aceitam os ensinamentos da Lei, dos Profetas e dos Sapienciais.
          Não devemos dormir, mas permanecer vigilantes e sóbrios. Isso significa vigiar e vigiar é abandonar os ídolos que envolvem a sociedade na noite da injustiça e entrar no coração do Reino que comporta uma prática de serviço no culto ao Deus verdadeiro.
          É preciso estar atento à leitura e compreensão do Evangelho. Quem é o homem que vai fazer uma longa viagem? Quem são os servos? O que significa a entrega dos talentos? Em que consiste a prestação de contas?
          O patrão da parábola é o próprio Deus. Ele nos confiou seus bens, a cada um conforme sua capacidade. A um deu cinco, a outro dois e ao outro um talento.
          A parábola mostra a grandeza e a fragilidade de Deus. Sua grandeza está em nos entregar seus bens. Nada retém para si. Tudo é entregue. Sua fragilidade é confiar em nós, que podemos desperdiçar toda a sua riqueza. Deus arrisca perder confiando em nós. Sua fragilidade ressalta sua grandeza e bondade.
          A Palavra de Deus deste domingo nos convida a viver como filhos da sabedoria, da luz e do dia. Impele-nos a entrar na luta com coragem e responsabilidade para que o Reino de Deus cresça neste mundo. Não desperdicemos os talentos, que são de Deus, a nós entregues em confiança.
          O Senhor nos pergunta pelo sentido que damos para a nossa vida e o que dela fazemos na perspectiva da chegada do Reino de Deus. Essa avaliação acontece no encontro pessoal com ele. Não devemos ter medo dele nem considerá-lo um homem severo, mas que nos confia uma missão e não faz as coisas por nós nem assume as nossas tarefas.
          Somos convidados a rever o compromisso, a missionariedade e o discipulado de nossas Comunidades. Tanto os ministros ordenados, como os agentes de pastoral não tem direito de “enterrar” os talentos que o Senhor lhes confiou. A Religião Católica é uma das mais “liberais” do mundo. Não podemos mais aceitar, à luz do Concílio Ecumênico Vaticano II, da Conferência Episcopal Latino-Americana e Caribenha de Aparecida, da Evangelii Gaudium e Documento 100 da CNBB: Comunidade de Comunidades: Uma Nova Paróquia – A Conversão Pastoral da Paróquia, fiéis que tão somente sejam “cumpridores de preceitos”, sem profundo compromisso pastoral!  Com quanta facilidade nos descompromissamos com nossas Comunidades de Fé, Oração e Amor! Elencamos inúmeras justificativas e responsabilizamos “outros” para nossa ausência na vida eclesial.
          Penso que há dois elementos a serem superados, a fim de fazermos render os talentos que nos são confiados para enriquecer a Igreja do Senhor: sermos menos acomodados e insensíveis, colocando-nos mais a serviço e valorizar os irmãos que receberam talentos, mas são ignorados por irmãos invejosos e carreiristas: aqueles medíocres, que têm medo de serem “ultrapassados” porque preguiçosos, enterram os próprios talentos e tentam desfazer dos talentos dos outros, por pura inveja!
          Não tenho como não repetir a conversão, a coerência e o bom senso de: poder em serviço; de talentos em partilha e de prestígio em humildade!
          Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Pr 31,10-13.19-20.30-31; Sl 127(128); 1Ts 5,1-5 e Mt 25,14-30).
           

          

sábado, 1 de novembro de 2014

COMEMORAÇÃO DOS FALECIDOS

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS

Queridos Irmãos e Amigos na Fé!
“Como Jesus morreu e ressuscitou,
Deus ressuscitará os que nele morreram.
E como todos morrem em Adão,
todos em Cristo terão a vida” (1Ts 4,14; 1Cor 15,22).

            “A Igreja convida-nos a entrar em comunhão com o Deus da vida e rezar pelos nossos falecidos. O dia nos lembra que nossa existência terrena é passageira, mas nem por isso deve ser desvalorizada; lembra-nos também que não podemos perder a fé na ressurreição. Por isso nos unimos ao salmista e proclamamos: ‘O Senhor é minha luz e salvação’.
          Nossa vida não se resume nos poucos anos de existência neste mundo. Fomos criados para a eternidade. Assim como o Senhor vive para sempre, na ressurreição viveremos eternamente junto a ele.
          Muitos nos precederam no tempo; deixaram-nos uma herança de vida construída no amor e na fé, no sacrifício e no trabalho. Apresentamos ao coração de Deus todos os nossos falecidos” (cf. Liturgia Diária de Novembro de 2014 da Paulus, pp. 26-28).
A palavra da Sabedoria gira em torno do conflito justos versus injustos, chamados de insensatos. No Sermão da Montanha (cf. Mt 5,7-27), Mateus reúne a nova justiça trazida por Jesus. As bem-aventuranças abrem esse sermão, anunciando a felicidade verdadeira de ser merecedor do Reino. São  proclamações de salvação para aqueles que aderem à comunidade dos seguidores de Jesus Cristo. Quando tudo parecer acabado, novas coisas surgirão, e quem se manteve fiel receberá sua herança. Será tudo novo, sem dor, sem choro, sem luto. Nem morte haverá.
          A Palavra de Deus é um apelo para sermos pobres em espírito e nos propõe o aspecto dinâmico do ser humano, de buscar a incerteza do ser. Expressa muita exigência e não apenas desprendimento dos bens materiais. Ser pobre ‘em espírito’ nos leva a transformar a referência de uma situação econômica e social em uma atitude para aceitar a Palavra de Deus. Este é um tema central das Sagradas Escrituras que nos convida a viver em total disponibilidade à vontade de Deus e fazer dela nosso alimento. É uma atitude de filhos e filhas, irmãos e irmãs dos demais filhos de Deus; ser pobre em espírito é ser discípulo de Cristo. O discipulado exige abertura ao dom do amor de Deus e solidariedade preferencial com os pobres e oprimidos.
          As demais bem-aventuranças referem-se a outras atitudes do discípulo, do pobre: bom trato, aflição pela ausência do Senhor, fome e sede de justiça, misericórdia, coerência de vida, construção da paz, perseguição por causa da justiça. Elas enriquecem e aprofundam a primeira bem-aventurança.
          Neste dia de esperança, de comunhão com quem amamos e continuamos amando, mesmo sem a presença física, a Ressurreição de Jesus é uma luz cintilante para nossa fé na vida. Temos certeza que todo mal já foi vencido e nos aguarda um futuro onde a morte não existirá mais. É essa também a certeza que temos quanto a nossos pais, irmãos, amigos e a todos os que adormeceram no Senhor.
          Temos que construir o novo céu e a nova terra durante o tempo de nossa história, mas temos a confiança que quem morreu, tendo guardado a fidelidade a Jesus Cristo, já pode usufruir do novo céu e da nova terra sem fim.
          Com Santo Agostinho de Hipona, gosto de pensar que “Ter fé é assinar uma folha em branco e deixar que Deus nela escreva o que quiser!” Nossa fé se debruça sobre a esperança de que, morrendo, veremos Deus como Deus é, e isto nos basta. “Nascemos para morrer e morremos para viver de verdade...”, mesmo na incerteza de que “O passado já não é mais e o futuro não é ainda...”, questionando “Que é, pois o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; se quero explicá-lo a quem me pede, não sei”. Finalmente fazemos a experiência, neste dia, que “A angústia de ter perdido, não supera a alegria de ter um dia possuído!”
          Desejando-lhes a esperança na ressurreição, com ternura e gratidão, o abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper

(Ler Sb 3,1-9; Sl 41(42); Ap 21,1-7 e Mt 5,1-12).

SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS

Queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Alegremo-nos todos no Senhor,
celebrando a festa de Todos os Santos.
Conosco alegram-se os anjos e glorificam o Filho de Deus”.

            “Celebrando a Solenidade de Todos os Santos de Deus, comungamos com aqueles que já se encontram na casa do Pai e vivem em plenitude as bem-aventuranças. Nós também somos proclamados felizes, porque formamos a grande família de Deus e procuramos seguir a multidão dos que nos deixaram exemplo de fidelidade e amor.
          A multidão dos fiéis seguidores de Jesus, filhos e filhas amados pelo Pai, reúne-se numa celebração celestial. Ainda em vida são proclamados felizes porque depositaram sua confiança em Deus.
          Todos os que se mantêm fiéis a Cristo serão vitoriosos. As bem-aventuranças são o caminho da santidade proposto por Jesus. Somos filhos e filhas de Deus, pois ele é nosso Pai, e seremos semelhantes a ele.
          A Eucaristia transforma-nos, lenta e progressivamente, em seres capazes de contemplar o Pai unidos a todos os que são salvos” (cf. Liturgia Diária de Novembro de 2014 da Paulus, pp. 17-20).
          A celebração de Todos os Santos é a festa da santidade anônima. Da santidade entendida, em primeiro lugar, como dom de Deus e resposta fiel da criatura humana. Torna-se impossível enumerar todos os santos, tido como sinais da manifestação maravilhosa da ação de Deus. A santidade pode ser comparada a um grande mosaico que reflete a grandeza da única santidade de Deus.
          Cada santo é um exemplar único e exclusivo. Não podemos pensar a santidade como um produto em série. A comemoração de todos os santos nos abre à imprevisibilidade do Espírito Santo.
          A multiplicidade de santos faz deles um modelo perfeito para a vivência dos carismas pessoais e para a diversidade de opções no seguimento de Jesus e no serviço à Igreja e à sociedade.
          Quando veneramos ou falamos de um santo de nossa devoção, somos tentados a contemplá-lo (a) pela ótica perfeccionista. ‘Ele foi perfeito’, ‘Um super-humano’. Não! Os santos, antes de tudo, foram pessoas comuns. Eles fizeram sua caminhada de vida seguindo os passos de Jesus. Participaram da realidade do povo santo e pecador. Contudo, eles se destacaram na vivência radical do ideal proposto pelas bem-aventuranças. Foram pessoas que, por seu modo de viver a Boa-Nova, marcaram significativamente a sociedade de seu tempo e se transformaram em referenciais atualizados para a história.
          O convite evangélico à santidade é proposto a todos. Não é uma realidade impossível de alcançar. Tudo depende do vigor com que se vive o ideal das bem-aventuranças na relação com Cristo e nos compromissos inerentes à vida. Eu e você podemos ser santos. Não importa se somos pessoas de muitas qualidades ou não. O que conta é que sejamos pessoas extraordinárias pela vivência do programa de Jesus resumido nas bem-aventuranças.
          Fica mais uma vez entre nós a pergunta crucial: como ser santo? O que significa ser santo? A liturgia vai nos conduzir para mais perto da santidade de Deus.
Ouve-se frequentemente de bons lábios cristãos algumas frases em relação à santidade, como: “Eu não nasci para ser santo...”. “Não sirvo para ser santo...”. “Não sou santo, logo não tenho culpa...” Gosto de pensar que tais cristãos não compreendem o próprio Batismo. O Batismo torna-nos seres divinizados, ou seja, candidatos à santidade! Não creio que sejam as coisas boas que conseguimos realizar, nem as coisas más que praticamos, por vezes, involuntariamente, que nos conduzem à santidade, porém o esforço empreendido por fazer de tudo para ser bondoso, humilde, servo e anjo para os irmãos, vivendo uma relação de ternura constante. Quem sabe, fazendo uma listinha de esforços diários nos ajude a conquistar a santidade proposta a todos os filhos e filhas de Deus, nascidos do “útero da Igreja, a Pia Batismal!” Já paramos para pensar, com quantos santos convivemos ao longo de nossa vida, mesmo que não reconhecidos, oficialmente, por decretos de beatificações ou canonizações?
            Não deixemos para amanhã, nem mesmo para daqui há pouco: comecemos já nosso esforço por sermos santos, sendo anjos uns dos outros. Só quem é simples e bondoso, sabe o quanto é magnífica a ante-sala da santidade!
                    Desejando-lhes, por intercessão de Todos os Santos, muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper

(Ler Ap 7,2-4.9-14; Sl 23(24); 1 Jo 3,1-3 e Mt 5,1-12).