sábado, 12 de abril de 2014

DOMINGO DE RAMOS


COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS
COLETA NACIONAL DA SOLIDARIEDADE



Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

"Jesus Cristo se tornou obediente,
obediente até a morte numa cruz.
Pelo que o Senhor Deus o exaltou e deu-lhe
um nome muito acima de outro nome" (Fl 2,8s).

O Domingo de Ramos introduz a Semana da Paixão do Senhor. A Liturgia nos oferece dois evangelhos de Mateus: um para a bênção dos ramos (Mt 21,1-11) e outro para a Liturgia da Palavra - narrativa da Paixão (Mt 26,14-27,66).

Há poucos dias, o povo tinha visto Jesus ressuscitar Lázaro em Betânia. Estava maravilhado! Ele tinha certeza de que este era o Messias anunciado pelos profetas. Contudo, pensava que fosse um Messias político, libertador social, forte e poderoso, que arrancaria Israel das garras dos opressores e lhe devolveria os bons tempos de Salomão. Jesus, porém, apresenta-se completamente diferente do imaginário popular. Ao contrário dos poderosos que andavam em carros de guerra, em imponentes cavalos, ele entra em Jerusalém montado num jumentinho. Jesus é um rei manso, humilde e pacífico e, ao mesmo tempo, forte e firme. É interessante observar que foi um jumentinho que conduziu Jesus, ainda no útero de Maria, porta-jóias do Salvador, a Belém onde nasceu; ao Egito, para fugir da inveja incontrolável de Herodes que não admitiu alguém melhor e maior do que ele; de volta a Nazaré, onde passou sua infância na simplicidade de uma Família simples, comum e obediente à Palavra de Deus, e agora à Entrada triunfal em Jerusalém, ao encontro de sua paixão e morte de cruz!

Ele faz justiça, devolvendo vida aos excluídos, humildes e necessitados. As multidões o reconhecem, estendem mantos à sua passagem e, com ramos nas mãos, aclamam: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito, aquele que vem em nome do Senhor. Hosana no mais alto do céu!” Em contrapartida, os poderosos preocupam-se e agitam-se.

O Filho de Deus entra em Jerusalém como rei messiânico, humilde e pacífico. É o servo paciente que se encaminha para enfrentar voluntariamente, sem violência, a humilhação e o aparente fracasso, impostos pela maldade humana. Jesus chega à cidade, em direção à qual peregrinou por longos dias, para ser vitorioso: “vencerá pela força da não violência do amor”.  O caminho do Messias e de todos os seguidores é paradoxal: pelo fracasso ao triunfo, pela derrota à vitória, pela humilhação à glória, pela morte na cruz à ressurreição.

A liturgia do Domingo de Ramos revela a grande contradição entre a relação do povo e o Filho de Deus e sua missão redentora. Primeiro a multidão aclama: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito aquele que vem em nome do Senhor. Hosana no mais alto do céu!” Dias depois, grita por sua condenação: “Crucifica-o! Crucifica-o!” A cruz e a morte despontam no horizonte da recusa do projeto messiânico: “O caminho do amor que se entrega a Deus e aos humanos, em favor da justiça e da paz, de forma mansa e humilde”.

O Domingo de Ramos é marcado, de uma parte, pelo mistério, pelo despojamento e pela entrega total e, de outra, pelo senhorio e pela glória do Filho de Deus.

O relato da Paixão é um convite a entrarmos a Páscoa. Esta se constitui num chamado à vida nova, à vida no Espírito, que implica amor incondicional a Deus e ao próximo e cuidado fraterno da criação. Esta vida nova nos é dada e leva à plenitude a obra da criação. Na celebração pascal, recebemos o Espírito do Ressuscitado para vivermos a vida nova.

Para emoldurar a leitura da Paixão do Senhor, a liturgia deste domingo, proclama o terceiro canto do Servo Sofredor. O apóstolo Paulo, na perspectiva da Paixão do Senhor, exorta os filipenses a contemplarem o Filho de Deus que, inteiramente despojado, se fez servo e obediente à vontade do Pai, até a morte de cruz. Em sua total entrega, revelou o mistério de sua grandeza. Por isso, o Pai o ressuscitou e o glorificou.

O grande convite para todos nós cristãos é o despojamento total, o que naturalmente não é tão simples. Não é fácil optar pela humilhação quando se ocupam cargos e funções de confiança, na vida social, política, eclesial e comunitária. Fazemos de tudo para alcançar prestígio, e deste dificilmente abrimos mão, mesmo que isso prejudique a outros. Ainda é muito notória entre os cristãos, o carreirismo, a busca do poder e do prestígio a todo custo. Revestimo-nos mais do caráter invejoso de Herodes e dos que pediram a crucifixão do Salvador, do que da personalidade do próprio Cristo, não obstante nos pensemos cristãos, daqueles que se dizem "certinhos" enquanto conseguem esconder seus limites e pecados atrás dos que chegaram a público. Como é frequente, principalmente entre "autoridades ou pessoas públicas, e aqui não escapamos também nós eclesiásticos" esconder nossos pecados atrás daqueles que foram descobertos. Certa vez numa visita à Penitenciária, ouvindo as lamúrias e desabafos de alguns detentos, disse a eles: "Agradeçam a Deus a sorte que tiveram de serem presos. Assim terão oportunidade de mudarem de vida. Sinto dó daqueles que fazem coisas piores, mas sentem-se melhores, pelo simples fato de não terem sido descobertos em seus erros..." O outro problema é a discriminação que se institucionaliza em relação aos que um dia, sabe-se por que, erraram. Mesmo mudando de vida, dificilmente têm novas oportunidades. Os certinhos não deixam. Sentem-se superiores e falta-lhes a capacidade da cruz, ou seja, do perdão, da misericórdia e do amor de verdade!

Não nos esqueçamos de levar às Comunidades os justos resultados de nossos exercícios quaresmais de penitência, partilhando um pouco de nós com quem tem menos. É o Dia Nacional de Coleta da Solidariedade: FRATERNIDADE E TRÁFICO HUMANO! Não nos roguemos o direito de “traficar” nossa Coleta. Sejamos honestos com Deus, conosco e com quem dependerá de nossa partilha generosa! Em 2012 a Diocese de São José dos Campos, da qual veio nosso Arcebispo Metropolitano, Dom Moacir Silva, repassou 40% da Coleta ao Fundo Nacional da Solidariedade da CNBB o valor de R$ 92.118,78, enquanto nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto, seguramente maior e muito mais rica, enviou apenas R$ 34.733,31. Uma diferença bastante estranha de R$ 57.385,47. Cada um tire suas conclusões (cf. Manual da CF/2014 p. 121).

Que a Semana Santa nos faça melhores do que somos e que a cruz nos santifique!

Desejando a todos muitas bênçãos, com ternura e gratidão, nosso abraço fiel e amigo,

Pe. Gilberto Kasper
(Ler Mt 21,1-11; Is 50,4-7; Sl 21(22); Fl 2,6-11 e Mt 27,11-54). 


sábado, 5 de abril de 2014

QUINTO DOMINGO DA QUARESMA

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!



Chegamos ao Quinto Domingo da Quaresma. Depois de quarenta dias de grande jejum, continuada penitência e profundo retiro de oração, vamos contemplar hoje a Ressurreição e a Vida. Este Quinto Domingo da Quaresma, pelos antigos era chamado de "Domingo da Paixão" - ressaltado pelos acontecimentos da ressurreição de Lázaro. Ressurreição que causou ódio das autoridades civis daquele tempo contra Jesus, que dava um sinal de como deveria ser sua própria ressurreição. O acontecimento de hoje conduz à Páscoa da morte e ressurreição de Jesus Cristo.

A experiência batismal estabelece e manifesta a sintonia existente entre os três últimos domingos da Quaresma. No Terceiro Domingo da Quaresma, no acontecimento da Samaritana, falou-se em água viva, em água que jorra para a vida eterna, e Jesus apresentou-se como quem é capaz de dar de beber esta água salvadora. No Quarto Domingo da Quaresma, Jesus revelou-se como a luz do mundo. A água e a luz fazem crescer, vivificam os seres vivos. Sem água e sem luz, conhecemos a morte. A partir da água e da luz, Jesus reafirma sua divindade e seu poder de dar a vida, e a vida plena, que não se acaba.

O motivo da celebração eucarística é a ressurreição e a vida de todos os que se deixam conduzir pela palavra de Deus. Dela nos vem a força e a esperança para continuar na caminhada rumo à Páscoa, superando toda tristeza e morte. O profeta Ezequiel anuncia ao povo que Deus deseja comunicar a vida a quem está sob o jugo da morte. Jesus, ao ressuscitar Lázaro, concretiza o sonho do profeta e se apresenta como “a ressurreição e a vida”. Deus não quer que seu povo viva em condições de mortos-vivos e abandonado à própria sorte. Jesus ama seu povo e, por isso, ordena que desatemos as amarras que mantêm as pessoas presas. Viver segundo o Espírito de Deus é fazer nossas opções de Jesus.

O Profeta Ezequiel prega para um povo 'morto', caído por terra e sem esperança de vida. Um povo vencido e desanimado no exílio, que é visto como um monte de ossos secos. A 'palavra profética' é palavra recriadora. Por isso, o que parece impossível aos homens, pode se transformar numa ocasião para Deus revelar a sua força recriadora. Lentamente os ossos são revivificados pelo Espírito de Deus. O povo renova-se à medida que vai tomando consciência da sua dignidade.

O Apóstolo Paulo fala do espírito que vivifica, mesmo se o corpo estiver morto. O espírito de Deus que ressuscitou Jesus dos mortos fará viver até os nossos corpos mortais. Esta vida nova, vida habitada pelo Espírito, requer superação de tudo o que não agrada a Deus. A partir da Ressurreição de Cristo quem determina o ser e agir do ser humano, não é mais o pecado e o egoísmo, mas o Espírito; não é mais a morte, mas a vida.

Jesus está a caminho de Jerusalém. É sua última viagem. Em Betânia, apenas a uns 3 km de Jerusalém, faz o grande milagre da ressurreição de Lázaro. Betânia era parada obrigatória dos peregrinos de Jerusalém. Ali eles tomavam banho, preparavam-se para entrar na cidade santa. Não poderia ser diferente com Jesus e com os apóstolos. A parada de Jesus foi na casa de Maria, de Marta e de Lázaro, seus íntimos amigos.

A figura de Lázaro, encerrado no sepulcro e amarrado em faixas, personifica o discípulo que, ao convite do Senhor, necessita sair de seu mundo (aqui o sepulcro é imagem forte disso), para ganhar a vida. A vida do batizado implica rupturas e mudanças radicais com determinadas práticas de vida, ao mesmo tempo em que ele se insere numa comunidade de vida. Na Quaresma, somos chamados à conversão, a deixar projetos que nos prendem ao egoísmo e a apostar na tarefa de criar um mundo solidário, com mais vida. Temos de anunciar, mais com ações do que com palavras, que acreditamos que só é parceiro de Deus quem defende a vida e que tudo será possível com amor autêntico e coerente.

Somos convidados a preparar-nos bem, a fim de que esta seja a mais rica Páscoa já celebrada em nossa vida pessoal, comunitária e social. Não deixemos para celebrar o rico Sacramento da Confissão na última hora, na Semana Santa! Aproveitemos os Mutirões de Confissões nas Foranias de nossa Arquidiocese, que reúnem dezenas de Sacerdotes cada noite, em praticamente todas as Paróquias para atender-nos e devolver-nos a paz que o pecado nos tira. Os Padres também precisam de tempo oportuno e necessário para bem prepararem-se para as solenes celebrações de toda a Semana Santa! Procurar a confissão de última hora, geralmente frustra tanto o Sacerdote como quem o busca. A confissão deve ser celebrada e não improvisada. É compensador ver e sentir as pessoas celebrarem sua Reconciliação com Deus, consigo mesmas e com os outros! O alívio do perdão e da reconciliação revestirá a Celebração da nossa principal festa anual: a Páscoa da Ressurreição do Senhor e nossa de sentido mais profundo, oferecendo-nos, diante de nossa Cultura de Sobrevivência, novas esperanças, perspectivas, ânimo e sentido de vida verdadeira.

Desejando a todos muitas bênçãos, com ternura e gratidão, nosso abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler Ez 37,12-14; Sl 129(130); Rm 8,8-11 e Jo 11,1-45).


sábado, 29 de março de 2014

QUARTO DOMINGO DA QUARESMA

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS
LAETARE – DOMINGO DA ALEGRIA

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!


"Pois eu sou a luz do mundo, quem nos diz é o Senhor;
e vai ter a luz da vida quem se faz meu seguidor!" (Jo 8,12).

Na caminhada para a Páscoa já próxima, somos convidados a deixar atitudes de tristeza e desânimo e assumir a alegria e o otimismo, porque o Quarto Domingo da Quaresma - LAETARE é o domingo que antecipa as alegrias da festa da Páscoa que a Quaresma prepara nas entranhas de nossas Comunidades de Fé, Esperança e Amor, no íntimo de cada cristão. Jesus cura nossa cegueira e ilumina as trevas que alienam a vida das pessoas, principalmente as vítimas do Tráfico Humano! Deus vê fundo, não se deixa enganar pelas aparências. Nossa fé em Jesus leva-nos a superar os valores do mundo e os seus preconceitos e assumir os riscos que ela comporta, denunciando toda maldade fruto das trevas. Deus não age segundo critérios humanos: ele vê o coração dos homens, não as aparências. O encontro com Jesus, luz da humanidade, transforma nossa vida de trevas em vida iluminada. A partir do batismo, somos novas criaturas; por isso, devemos agir com bondade, justiça e verdade. Agradeçamos a Deus pelo novo olhar a nós concedido, capaz de reconhecer na assembleia, na palavra e no pão partilhado os sinais da presença de Cristo que salva.

O Quarto Domingo da Quaresma é tradicionalmente conhecido como o Domingo Rosa, o Domingo da Alegria. A comunidade cristã celebra a proximidade da Páscoa da Ressurreição de Cristo. É bom que nos alegremos nesta certeza. Fomos salvos pela ressurreição de Cristo e esta celebração festiva anual está próxima. Nós cristãos nos alegramos, porque Cristo nos salvou.

Saul, como rei de Israel, não conseguia mais governar o povo com justiça e por isso devia ser substituído. O profeta Samuel unge Davi, o último entre os oito irmãos, como rei de Israel. A escolha e a unção do rei Davi nos ajudam a entender o sentido do Batismo, especialmente o simbolismo da unção.

Pelo salmo responsorial (Sl 23/22), a comunidade suplica ao Senhor que restaure suas forças, derramando sobre ela o óleo do seu amor e a transforme em instrumento de salvação na sociedade.

O Apóstolo Paulo, fazendo referência ao contraste “trevas e luz”, ressalta a conduta dos cristãos - vivam como “filhos da luz”. Nisto há uma relação direta com o Evangelho. A luz que os outros contemplarão nos cristãos brotará do testemunho, da prática das boas obras de bondade, justiça e verdade. “Pelos frutos os conhecereis”. O batizado é iluminado pela luz de Cristo, para se tornar luz do mundo.
A cura do cego de nascença nos toca de perto, porque em certo sentido todos somos... “cegos de nascença”. O próprio mundo nasceu cego. Segundo o que nos diz hoje a ciência, durante milhões de anos houve vida sobre a terra, mas era uma vida em estado cego, não existia ainda o olho para ver, não existia a própria vista. O olho, em sua complexidade e perfeição, é uma das funções que se formam mais lentamente. Esta situação se reproduz, em parte, na vida de cada ser humano.

A narrativa do cego de nascença serve para demonstrar como se chega à fé plena e madura no Filho de Deus. Jesus nos recorda, com o sinal da cura do cego de nascença que, além dos olhos físicos, há outros olhos que devem abrir-se ao mundo. São os olhos da fé.

A fé é a luz que ilumina a nossa vida e dá alento ao nosso peregrinar terreno. O próprio Cristo apresenta-se como luz que nos ajuda a descobrir os verdadeiros valores e nos capacita a viver fraternalmente. Assim, iluminados por Cristo, seremos reflexo de sua luz. Vivamos na alegria da fé que se manifesta na confiança em Deus!

Conhecemos bem o ditado popular: "O pior cego é aquele que não quer enxergar..." Este Domingo Laetare, da Alegria, o Quarto Domingo do Tempo Quaresmal é um forte apelo a todos nós: que enxerguemos bem a realidade em que vivemos como Filhos da Luz, assumindo com coragem e ousadia nossos compromissos batismais. Muitas vezes é mais cômodo não querer enxergar, pois isso exige comprometimento, perdas, desinstalação do comodismo que nos impermeabiliza a críticas e cobranças. O cristão que não se esforça por prevalecer a verdade, a justiça, a liberdade e o amor gratuito e, a partir desses valores essenciais promove a dignidade humana entre as pessoas, principalmente as que se encontram em situações de risco do Tráfico Humano, não assume seu batismo. Acovardar-se diante do pecado é tão grave como ceder a ele. E quem cede ao pecado, sem lutar por superá-lo caridosa e fraternalmente, vira as costas para Deus: deixa-o falando sozinho. Quanto maior a responsabilidade do serviço de qualquer autoridade e pessoa pública, mais vulnerável a mesma fica. Haja oração pela santificação daqueles que são, de alguma forma, autoridade aqui ou acolá... Tal pessoa se torna vazia, seca, oca do amor que lhe foi conferido no dia de seu batismo, bem como do chamado a viver sua vocação específica. Talvez nossa falta de compromisso com a luz enderece tantos irmãos nossos às seitas mercantilistas, cada vez mais crescentes em torno de nossas comunidades, que ainda estão demasiadamente acomodas em sua missionariedade! E isso também não deixa de ser uma espécie de Tráfico Humano velado!

Desejando a todos muitas bênçãos, com ternura e gratidão, nosso abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler 1Sm 16,1.6-7.10-13; Sl 22(23); Ef 5,8-14 e Jo 9,1-41).


sábado, 22 de março de 2014

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS

TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!




"Na verdade, sois, Senhor, o salvador do mundo.
Senhor, dai-me água viva a fim de eu não ter sede!" (Jo 4,42.15).


"Na caminhada rumo à Páscoa do Senhor, chegamos ao Terceiro Domingo da Quaresma. Um domingo marcadamente batismal. Pela escuta da Palavra de Deus, somos convidados a dar um passo novo na fé que recebemos no Batismo" [...]

Sabemos o dia em que fomos batizados? O nome de quem nos batizou? Temos convivido com nossos padrinhos de Batismo? Celebramos apenas o dia de nosso nascimento, cuja data se encontra nos documentos que nos identificam como cidadãos de uma sociedade? Certamente a maioria comemora seu aniversário natalício com bolos, churrascos, "parabéns", recepções, enfim. Mas e o aniversário batismal é igualmente celebrado? Gosto de pensar, sem pré-julgar, que fica difícil comemorar, celebrar uma data que nem lembramos. E como ficam então os compromissos batismais? Quem não sabe o dia de seu Batismo, certamente não o celebra e não comemorando-o também não o assume, pelo menos conscientemente. Talvez haja um compromisso inconsciente ou meramente preceitual, o que empobrece nossa participação na adoção filial que acontece, quando mergulhados no útero da Igreja, passamos a ser herdeiros de Deus e de tudo que é d'Ele, principalmente integrando Sua grande família: a Família de Deus! Que tipo de filho nos sentimos nesta família de Deus, a Igreja de Jesus Cristo? [...]

"A água, princípio de vida, é presença marcante na liturgia quaremal. Celebrar a eucaristia é aproximar-se de Jesus, dom do Pai e fonte de água viva para a vida eterna. Vamos beber do poço que é o próprio Cristo, para que nos sustente na busca da vida plena. Somos convidados a não fechar o coração, mas ouvir a voz do Senhor, que se oferece como água viva para nossa existência. Junto com a samaritana, queremos nos aproximar do poço onde Jesus nos espera. A água é fundamental para que haja vida; comecemos a valorizá-la mais. A humanidade tem sede de Jesus. Cristo morreu por todos, estabelecendo a paz da humanidade com Deus
.
[...] "Na celebração deste Terceiro Domingo da Quaresma, o Pai nos oferece o dom da água viva e nos convida a aderir pessoal e comunitariamente a Jesus, o Messias enviado de Deus. Jesus transforma as circunstâncias simples e comuns da vida, como o buscar água num poço, em momentos especiais, de graça e de salvação. Ele é a água viva para sede mais ardente que todos sentimos, essa sede que atinge a raiz mais profunda de cada um de nós. Como batizados, nos vemos refletidos no drama da anônima samaritana. Muitas vezes, também nós carregamos relacionamentos feridos, sedentos de verdade e de autenticidade. Tão sedentos ficamos que, clamando por água, reclamamos ou duvidamos da presença de Deus, a exemplo dos israelitas na travessia do deserto" [...]

 Dia 23 de março de 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que os candidatos "Fichas sujas eleitos em 2010 poderiam tomar posse..." de acordo com o artigo 16 da Constituição Federal!

Esta determina que lei que alterar o processo eleitoral só pode produzir efeitos um ano após entrar em vigor. Tiveram, na época, a mesma opinião do relator Gilmar Mendes, os Ministros Luiz Fux, indicado neste mês pelo Governo Federal, Antônio Dias Tóffoli, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e o então Presidente da Corte, Cezar Peluso. Foram seis Ministros contra a vontade de milhões de cidadãos brasileiros portadores de consciência política e ética contra cinco que desejaram "limpar o Congresso"! Tente comprar uma geladeira com seu nome sujo... Como vemos, é mais fácil ser Deputado ou Senador, até mesmo porque não devem comprar nada a prestação. Aliás, compram ou ganham desonestamente, o maior salário parlamentar do Planeta? Lamento pelos honestos, como sempre, a minoria. Fomos obrigados a digerir a sujeira dos mais de 30 eleitos com fichas sujas juntamente aos que já sentam sobre a própria sujeira há décadas, mas intocáveis, porque "os filhos das trevas são mais espertos..." Só nos resta não perder a esperança, de que um dia a justiça de nosso País, mesmo a Suprema Corte, mereça nosso respeito. Por enquanto, são tão sujos quanto os que assumirão suas mordomias, desrespeitando um Povo sofrido, honesto e cruelmente explorado institucionalmente!  Não deixemos para outubro próximo, o exercício de nossa cidadania. Não esqueçamos que além de ano de Copa do Mundo, estamos em ano de eleições para presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais![...]

"Quaresma é, para nós batizados, um tempo oportuno para sentarmos junto a tantos 'poços' onde, corações inquietos e necessitados, bebemos da água, até nos saciarmos de tanta sede de vida nova. Quaresma é tempo propício para o diálogo calmo e sem preconceitos. Compartilhar a água que sacia verdadeiramente, vivifica e transforma. É a oportunidade para abandonar os 'cântaros' inúteis e encher os espaços vazios da vida com novas atitudes de fraternidade e solidariedade, especialmente no que tange ao cuidado com a vida humana tantas vezes traficada".

Desejando a todos muitas bênçãos, com ternura e gratidão, nosso abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler Ex 17,3-7; Sl 94(95); Rm 5,1-2.5-8 e Jo 4,5-42).