sábado, 25 de outubro de 2014

TRIGÉSIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM


COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Exulte o coração dos que buscam a Deus.
Sim, buscai o Senhor e sua força,
procurai sem cessar a sua face” (Sl 104,3s).

            Neste Trigésimo Domingo do Tempo Comum, nos reunimos “para celebrar novamente, a páscoa de Jesus e buscar a face de Deus, que se revela no rosto sofrido dos pobres e oprimidos. Amando os irmãos sofredores, amamos o próprio Deus. A eucaristia é a expressão da ternura misericordiosa do Pai para com todos.
          As leituras nos convidam a amar a Deus acima de tudo e nos comprometem a amar os necessitados. O amor a Deus e o amor ao próximo são inseparáveis.
          Deus nos convida a defender a vida dos pobres e esquecidos. Os dois amores da vida, Deus e o próximo: amando um, estaremos amando o outro. É importante que a comunidade saiba fazer memória da sua caminhada.
          Neste domingo, rezamos especialmente, pelo trabalho missionário e continuamos doando nossas ofertas em favor das missões. Agradecemos a Deus a generosidade dos fiéis que torna possível a atividade missionária da Igreja(cf. Liturgia Diária de Outubro de 2014 da Paulus, pp. 79-81).
          Na certa, temos uma situação que nos incomoda e mexe com o nosso modo de anunciar e celebrar com a comunidade o memorial da páscoa de Jesus. Como interpretar e viver nos dias de hoje a Palavra de Deus proclamada na liturgia?
          No Dia do Senhor, o Domingo, nos reunimos para nos encontrar com Deus. Mas para chegar a Ele é preciso ter feito uma opção e passar pela porta de entrada que é o povo com sua história, suas angústias, esperanças, lutas e privações, pois, Deus não quer um amor distante do povo e intimista.
          O nosso Deus que amamos e juramos fidelidade é o Deus defensor dos pobres. Somos seus aliados na defesa dos excluídos, desprotegidos e rejeitados da sociedade. A nossa religião se firma nesse Deus e cultiva o seu amor pelos últimos da terra.
          Somos reunidos por um Deus que está no meio dos deserdados e iletrados e que nos diz que a porta de entrada na sua amizade passa pelo amor ao povo que sofre e ama. E amar a Deus significa amar esse povo que vive e faz história conosco.
          E a Palavra de Deus nos faz lembrar que ser cristão significa ser missionário do bem, do amor, da justiça. Isso supõe o desmascaramento dos ídolos que mantém o povo à margem da vida e das celebrações que cultivam um deus falso e um culto vazio.
          O compromisso missionário é dos cristãos e das comunidades eclesiais. É dia de oração. Dia de ofertas generosas. Antes de tudo um dia de avaliação pessoal e comunitária. As missões não são apenas uma atividade da Igreja ou um dia do calendário pastoral. A fé que recebemos como dom e bênção não sobrevive nem se sustenta sem o mergulho no compromisso missionário e profético.
          A liturgia nos leva a olhar para o Senhor de braços abertos e olhar fixo no horizonte da missão e nos campos imensos que esperam operários e ceifadores. O que podemos e vamos fazer para contribuir no anúncio da Palavra do Senhor: ‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma e todo o teu entendimento’. ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. Esses dois mandamentos são a expressão maior da vontade de Deus. É o resumo de toda a Bíblia!
          Ao definir o amor a Deus e ao próximo como a si mesmo, o resumo da lei e de toda a mensagem bíblica, costumo pensar na qualidade desse amor. Vivemos um tempo, em que os contra valores engolem nossa sociedade, levando-a ao consumismo, egoísmo, hedonismo e individualismo. Será que nosso amor tem sabor divino? Enquanto criados à imagem e semelhança de Deus, somos capacitados a amar um amor com sabor de Deus mesmo. Porém, nunca antes houve tanta depressão e descontentamento com nossa imagem. Penso que ao criar-nos à Sua imagem e semelhança, nem régua Deus usou. Moldou-nos segundo Seu amor profundo por cada um de nós, Suas criaturas prediletas. Nem sempre nos damos conta disto. Por isso, penso que amar a Deus e o próximo como a mim mesmo, implica num terceiro mandamento: amar-me a mim mesmo como Deus me criou e moldou. Isso nem sempre é fácil. Quantas intervenções cirúrgicas plásticas vemos acontecer mundo afora, com a desculpa de melhorar a auto-estima? Para mim, não existem pessoas feias, a não ser em suas atitudes, comportamentos e relações com os semelhantes. Logo gosto de dizer assim: amar a Deus e ao próximo como a mim mesmo, do jeito que cada um é, e não como gostaríamos que fosse. Se eu não for capaz de aceitar-me como sou e amar-me do jeitinho como Deus me moldou, também não serei capaz de amar meu próximo e muito menos a Deus.
          Não esqueçamos de devolver o envelope da Coleta para as Missões. Mesmo que a Coleta tenha sido semana passada, ainda há tempo, para os que esqueceram. Seja esta coleta o fruto saboroso, a partilha de nossa pobreza em favor das Missões. A coleta não poderá ser uma simples esmola ou migalha, mas um valor considerável que demonstre nossa generosidade. Deixar de consumir algo em favor de quem precisa mais do que nós, agrada o coração de Deus. A indiferença e insensibilidade para com as Missões, desfigura nosso compromisso de sermos uma verdadeira Igreja de Jesus Cristo, totalmente missionária e ministerial.
                    Desejando-lhes abundantes bênçãos, com ternura e gratidão, meu abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper

(Ler Ex 22,20-26; Sl 17(18); 1 Ts 1,5-10 e Mt 22,34-40).

sábado, 18 de outubro de 2014

Vigésimo Nono Domingo do Tempo Comum


COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS
Dia Mundial das Missões
Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Missão para libertar”.
“Enviou-me a proclamar a libertação”

            A Palavra de Deus do Vigésimo-Nono Domingo do Tempo Comum, Dia Mundial das Missões, nos desafia “a não separar a liturgia da vivência cotidiana. Com a frase-resposta ‘dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus’, Jesus vence o desafio lançado por seus opositores e nos ensina a dar glória a Deus por meio da vida dedicada ao seu povo.
          Como cidadãos do reino conduzidos pela mão do Senhor, vamos acolher a palavra da salvação. Ela vem a nós com a força do Espírito e nos ensina a dar a Deus o que lhe pertence.
          Ciro, rei pagão, torna-se instrumento de salvação nas mãos de Deus. A autoridade é responsável pelo bem-estar do povo, que tem a Deus como seu único Senhor. O tripé de uma comunidade cristã é a fé, a caridade e a esperança.
          Não podemos separar a vida cotidiana da vida de fé. Na assembleia que partilha o pão da vida, reconhecendo-nos todos filhos e filhas do mesmo Pai e cidadãos da mesma pátria” (cf. Liturgia Diária de Outubro de 2014 da Paulus, pp. 62-66).
          Há quem use a palavra do Evangelho de hoje para manter a religião longe da política. Essa maneira de pensar já é uma opção política que serve aos interesses dos que têm poder e exploram o povo.
          Em tempo de tanta corrupção, podemos reconhecer vários poderosos que se colocam como deuses. O poder político coloca-se como valor absoluto. Pessoas, regimes ou estruturas que impedem a humanidade de ser “imagem de Deus” na liberdade e na justiça. Roubam de Deus o que pertence unicamente a ele: o povo.
          A política e a economia devem ser instrumento para a realização da justiça, do direito da vida, conforme a vontade de Deus. Quando o dinheiro domina a pessoa, fica perdida a noção de dignidade, de direito, de justiça e de respeito. Muitas vezes, é uma questão mal resolvida dentro de cada um de nós, na sociedade e na política.
          Os cristãos que se engajam na política não são fiéis a Deus na medida em que se comprometem com o sistema que oprime. Quando forem capazes de renunciar à riqueza, serão fiéis a Deus, a quem devem devolver o povo que lhe roubaram.
          O imposto cobrado deve ser revertido em benefício do bem comum e não desviado para algum “caixa dois’. Jesus condena a transformação do povo em mercadoria que enriquece dominadores e fortalece a dominação tanto interna como estrangeira.
          Jesus chama de hipócritas os grupos que o elogiam, mas sustentam a injustiça sobre o povo. Ele manda devolver para Deus o que é de Deus – o povo libertado. O nome do amor hoje é a política vivida como solidariedade.
          A Deus não temos como pagar, pois tudo a ele pertence. O tributo que podemos pagar a Deus é a entrega de nossa vida, compromisso com o projeto que Jesus nos ensinou, no amor fraterno e na justiça. Ligamos fé, política e economia, conseguindo romper com a dominação do dinheiro, do consumismo, da adoração à moeda estrangeira, do poder e do sucesso. Na Igreja, na comunidade, como nos organizamos para ficar livres da ganância, do poder e do dinheiro?
          A moeda deve ser restituída a César, porque nela está impressa a imagem do seu senhor: o imperador. Há uma criatura sobre a qual está impressa a imagem de Deus. Esta é sua e somente sua. Ninguém pode apropriar-se dela indevidamente.
          As palavras de Jesus nos alertam a ficarmos atentos e prontos a gritar quando as pessoas são injustiçadas, exploradas e massacradas em seus direitos.
          Somos tentados frequentemente a “comprar deus” com dinheiro ou falsas promessas e dar a César o que é de Deus. O que é de Deus? O que é de César? Não podemos cair na armadilha e trair os princípios e valores do Reino de Deus. Pedimos a graça de estar ao dispor de Deus e servi-lo de todo coração.
          A comunidade é o lugar, por excelência, para servir a Deus, cantar as suas maravilhas e professar a nossa fé nele. A fé nos leva a “devolver a César o que é de César”, recusando todo tipo de dominação ou privilégios, pois, o Deus em quem acreditamos quer vida e liberdade para todos.        
O desenvolvimento, crescimento e valor de um País, geralmente, é medido a partir da economia, enquanto deveria ser reconhecido desenvolvido, civilizado a partir dos valores de seu Povo: a riqueza de sua cultura, a sustentabilidade de seus bens naturais e a sabedoria dos que nascem naquela determinada Nação. Lamentavelmente o dinheiro apodera-se sempre da “última palavra”. Com dinheiro resolve-se a vida e os problemas de uma pequena porção de um povo em detrimento da grande maioria, que sobrevive com “migalhas”.
          Se nossos políticos e servidores públicos, que nem sempre servem o povo, mas apropriam-se indevidamente do que é de todos, trabalhassem por salários mais modestos, talvez a injustiça na política pudesse ser sanada. Não é o que acontece. Além de salários demasiados altos, têm assessorias que recebem vergonhosas ajudas de custo, além de barganhas, comissões e dinheiro sujo que compra a honra de quem quiser sobreviver ao sistema corrupto que contemplamos escancaradamente. Nossos impostos não são honestamente aplicados em favor do bem comum. Quanta sujeira varrida debaixo dos tapetes de nossos Governos! Subestimam nosso senso crítico e nós não exercitamos nossa cidadania e direitos. Não valorizamos nem mesmo um centavo de troco, permitindo que de centavo em centavo, alguns poucos enriqueçam com dinheiro ilícito. Somos apáticos e conformados com o que nos é imposto, tornando-nos o País que paga os mais altos impostos do mundo, sem que esses sejam aplicados em melhor qualidade de vida dos cidadãos.
          Os bancários fazem greve enquanto os banqueiros se dão conta de que muitos dos grevistas são inúteis, já que a vida do País continua. Sofre o povo simples. Basta inovar um pouco mais a tecnologia eletrônica da transação bancária e a mão de obra humana torna-se supérflua. Não seria mais inteligente os bancários combinarem uma greve interna, sem prejuízo aos clientes de seus bancos? Durante um mês os funcionários dos bancos deixariam de vender os produtos de seu banco, atendendo tão somente os clientes, sem fechar as portas. Nosso dinheiro fica à mercê dos bancos que enriquecem ainda mais, durante a greve.
Seria injusto, não fosse diabólico! Enquanto grevistas gritam por justiça, políticos votam aumento dos próprios salários. Daí que afirmo acreditar na honestidade da maioria dos políticos, desde que trabalhem sem salário fixo; contentando-se apenas com o necessário para servir seus eleitores!
          Corruptos e desonestos não nascem nas Câmaras, no Congresso Nacional, Senado e até mesmo na Suprema Corte. São (des) educados no seio da própria família desde tenra idade. Quando os pais pagam seus filhos para que obtenham bons resultados na escola; quando recompensam os filhos por serem educados, comportadinhos e coniventes com as falcatruas familiares formam homens desonestos, corruptos e sem escrúpulos.
          Também em nossas Comunidades, precisamos estar atentos para destinar com justiça o dinheiro que nos chega, aplicando-o honestamente. Refiro-me ao dízimo, às coletas hodiernas e extraordinárias e taxas cobradas nas secretarias de nossas Paróquias e Celebrações. A Coleta para as Obras Missionários deste Dia Mundial das Missões deverá ser enviada toda ela à Cúria, sem subtrair nenhum centavo, como parece acontecer frequentemente. Não podemos utilizar o dinheiro das Coletas para decorar nossos Templos. Vivemos com simplicidade, utilizando os recursos para nossas despesas? Devemos sustentar nossas Comunidades com dignidade e partilhar de nossa pobreza com os que têm menos do que nós. O que Jesus diria a cada um de nós, vendo que algumas Comunidades sobrevivem com dificuldades agudas, enquanto outras ostentam luxo chamado de bom gosto? É admissível que numa Igreja que se diz ser de Jesus Cristo haja tamanha disparidade e desigualdade entre irmãos no Sacerdócio? A tão falada “fraternidade presbiteral” é concreta ou não passa de “balela”? Cada um de nós é chamado a responder desde os porões da própria intimidade: somos coerentes ou hipócritas entre o que pregamos e vivemos: na Família, na Sociedade, na Igreja e na Política?
Neste ano, celebra-se também neste domingo o Dia Nacional da Juventude, que geralmente é comemorado no quarto domingo de Outubro (Ver maiores informações nos Sites: www.arquidioceserp.org.br e www.cnbb.org.br.
          Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço fiel e amigo,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Is 45,1.4-6; Sl 95(96); 1Ts 1,1-5 e Mt 22,15-21).
         

          

sábado, 11 de outubro de 2014

SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA


COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS
SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA
MÃE, RAINHA E PADROEIRA DO BRASIL
Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Sua mãe disse aos que estavam servindo:
‘Fazei o que ele vos disser’!” (Jo 2,5).

          “Por ser uma solenidade, a festa deste dia 12 de outubro ocupa o lugar da nossa páscoa semanal, dia do Senhor. Não perdemos o sentido maior da Páscoa de Cristo por causa disso. Pelo contrário, no caminho espiritual do Tempo Comum estas solenidades de Nossa Senhora e dos santos e santas contribuem para voltarmo-nos para a centralidade da nossa fé em Cristo Jesus, nosso salvador. Ele é o mestre que um dia puderam servir e que nós hoje nos esforçamos no caminho do seu discipulado.

          O texto do Evangelho é rico em detalhes, próprio do evangelista João. Acontece em uma festa de casamento, onde Jesus é apresentado como o esposo da humanidade. A mãe de Jesus, que durante toda a narrativa não é chamada pelo seu nome, é a figura da primeira Aliança, ainda vivida através do cumprimento de prescrições puramente rituais, representada pela presença das seis talhas de pedra, usadas para os rituais de purificação entre os judeus (cf. Jo 2,6).

          Desde o Antigo Testamento o vinho, sobretudo em abundância, além de simbolizar a alegria, neste caso a alegria do amor matrimonial, é visto como sinal da presença ou vinda do Messias esperado. Ele já veio em Jesus e quer agora selar uma nova relação com seu povo pelo dom total, pela entrega amorosa, pelo ‘dom de si’ que revela Deus no escândalo e força da Cruz – a ‘hora’ de Jesus, que ainda não tinha chegado.

          A mãe de Jesus exerce, assim, uma dupla função nesta história de amor divino que salva. Em primeiro lugar, porque se mantém, como o povo da primeira Aliança, fiel e esperançosa na intervenção de Deus sobre a história. Como veio a faltar o vinho – constatação que ela faz ao filho -, amor necessário na relação entre a humanidade e Deus, é urgente que o mesmo seja ‘recriado’, seja reencontrado. Isso somente será possível em Jesus, o esposo da nova e eterna Aliança. Para isso, é importante superar uma relação com Deus meramente cumpridora de preceitos, ‘transformando’ aquilo que era objetivo dessa relação (talhas vazias), em verdadeira adesão a Jesus (vinho novo).

          A segunda função da mãe de Jesus na história da salvação revelada pela narrativa bíblica, é o seu comando aos servidores: ‘Fazei o que ele vos disser’ (Jo 2,5b). O antigo Israel é chamado agora a aderir ao seu novo esposo, colocando-se a serviço, pela esperança de sua intervenção na história (a mãe de Jesus, mulher), pela obediência à sua palavra (os serventes enchem as talhas sem qualquer questionamento) e pela fé em Jesus (os discípulos creram nele), aquele que manifestou a sua glória pela entrega amorosa de sua vida por sua esposa.

          Os católicos brasileiros têm uma grande relação religiosa com Maria, a mãe de Jesus. Essa relação de piedade e devoção pode ser mais aprofundada e adquirir um sentido evangélico bem mais intenso pela solenidade que vamos celebrar, pois todos nós que aderimos ao projeto de Jesus somos chamados a realizar sempre a sua vontade, mantendo a nossa esperança em suas intervenções na história, transformando, por nossas ações, as realidades de morte em vida, de trevas em luz, de miséria e pobreza em abundância.

          A imagem de Nossa Senhora que apareceu no rio Paraíba é uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Festa que remete à figura de Maria como plenificação e destino da Igreja, imagem da Igreja triunfante. Uma Igreja que, como mãe e esposa peregrina, é chamada a sermos fazer a vontade do seu esposo, Cristo, o Messias.

          O aparecimento da pequena imagem foi o grande sinal do alto, sinal de Deus e de sua intervenção em favor das súplicas dos simples e pobres. A festa aconteceu, e a abundância foi readquirida.

          Neste dia, no Brasil, também comemora-se o dia das crianças. Elas aguardam de todos nós um sinal de um país mais justo, humano, solidário e que saiba cuidar do seu povo com carinho e proteção. Aguardam sinais de vida, que devem ser cultivados e promovidos já agora, para que o seu futuro seja de abundância e paz” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum II de 2014 da CNBB, pp. 36-42).

          Gosto sempre de imaginar a cena daquele casamento. Deve ter sido um casamento de pessoas simples, pobres, como humilde e pobre era Maria. Para que Maria, Jesus e seus Discípulos fossem convidados, o casal nubente só poderia ser pobre, já que a disparidade entre as pessoas era tamanha, que ricos e pobres jamais se misturavam, especialmente em festas. Hoje não é muito diferente, embora tenhamos os chamados “ricos emergentes” ou ainda, aqueles que mesmo não sendo economicamente privilegiados, tenham “panca de ricos”, se juntem aos verdadeiramente ricos!

          Maria, que é mãe, perspicaz e atenta, percebe que seu filho, Jesus e seus companheiros, os Discípulos (que eram bons de copo), estavam exagerando, e os noivos pobres poderiam passar vergonha, já que o vinho começava a faltar. A mãe chama o filho e o adverte que já não tem mais vinho, pedindo que avise aos amigos “maneirarem no copo”. Jesus parece dar uma resposta ríspida, chamando sua mãe de “Mulher”. Em outras palavras, poderia pensar que não era problema seu. Maria, entretanto vai aos serventes e lhes diz: “Fazei o que ele vos disser!” A confiança no filho é maior que sua preocupação. O milagre acontece justamente pela fé de Maria em Jesus. Da Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, também nós, todos nós, podemos aprender do povo simples, de Sul a Norte de nosso Brasil, tamanha confiança na Mãe Aparecida. Ela não nos deixa esperando, não nos faz passar vergonha, mas intercede por nós. Porém é preciso seguir seu pedido feito aos serventes e também a nós hoje: Fazer o que Jesus nos pede! E o que Jesus nos pede? Que nos amemos uns aos outros, sempre! Se nos amarmos, o mundo será muito mais bonito, do jeito como Deus o criou e pensou para nós!

          Sejam todos sempre muito abençoados, sob a intercessão de Nossa Senhora Aparecida! Com ternura e gratidão, meu abraço amigo e fiel,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler Es 5,1-2; 7,2-3; Sl 44(45); Ap 12,1.5.13.15-16 e Jo 2,1-11).




sábado, 4 de outubro de 2014

VIGÉSIMO SÉTIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS
INÍCIO DO MÊS MISSIONÁRIO

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

“Eu vos escolhi foi do meio do mundo,
a fim de que deis um fruto que dure” (Jo 15,16).

            Iniciamos o Mês de Outubro – Mês Missionário, com a Memória de Santa Teresinha, Virgem e Doutora, a Padroeira das Missões! “Seguindo os passos da tradição carmelitana no Carmelo de Lisieux, descobriu a pequena vida da infância espiritual, inspirada na simplicidade e na humilde confiança no amor misericordioso do Pai. Em 1997 São João Paulo II, Papa a proclamou doutora da Igreja”.
          Já no Vigésimo-Sétimo Domingo do Tempo Comum “Somos convidados a celebrar a páscoa de Jesus. Ela se realiza nas comunidades e grupos dispostos a colaborar para que o reino de Deus produza frutos para o bem de todo o povo, a vinha amada do Senhor.
          Somos a vinha do Senhor, cuidada com carinho pelo Pai e regada pelo sangue de Cristo para que produza os frutos de paz e de vida que Deus deseja e espera de nós.
          A comunidade é a vinha do Senhor, da qual ele cuida com carinho e espera frutos de amor e justiça. Todos somos trabalhadores do reino de Deus e também responsáveis pelo seu crescimento. A celebração é o momento privilegiado para aprendermos a ser ternos, apesar dos conflitos.
Neste mês das missões, com o tema ‘missão para libertar’, somos convidados a aprofundar a reflexão da Campanha da Fraternidade sobre a realidade cruel do tráfico humano. Iniciando outubro, somos convidados a refletir sobre a ação da Igreja. Ela é por essência missionária. Neste domingo temos bela e nobre missão: a escolha dos nossos governantes para os próximos quatro anos. Nesta escolha, pensemos principalmente no bem do povo brasileiro” (cf. Liturgia Diária de Outubro de 2014 da Paulus, pp. 26-29).
Unidos ao Santo Padre o Papa Francisco, rezamos pela solene abertura da III ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA DO SÍNODO DOS BISPOS, que tratará OS DESAFIOS PASTORAIS DA FAMÍLIA NO CONTEXTO DA EVANGELIZAÇÃO, no Vaticano até o próximo dia 19 de outubro!
          Jesus retoma o texto de Isaías, mas não coloca a culpa na vinha por sua falta de bons frutos, e sim nos meeiros que deviam cuidar dela. Além de impedir que os bons frutos cheguem ao dono da vinha, ainda são violentos com seus enviados. É uma crítica muito séria que faz aos que se consideram donos da religião e senhores da fé do povo. Apropriam-se da relação entre Deus e seu povo, desorientam aquilo que permite o povo ligar-se a seu Senhor.
          Muitas vezes, certas lideranças religiosas impedem que o povo seja Povo de Deus para ser povo dos anciãos, dos escribas, dos sacerdotes, de fulano, de tal movimento... O povo vira joguete nas mãos dos chefes religiosos que buscam seus interesses e não o Reino de Deus. É isso que Jesus critica, mesmo que sua denúncia profética lhe cause a morte.  Sempre costumo pensar que Jesus foi condenado à morte de cruz por pura inveja clerical. Não bastando puxar-lhe o tapete, mandaram matá-lo, a fim de que deixasse livre o caminho aos “maus pastores”: interesseiros, exploradores da ignorância dos mais simples... Pior de tudo isso, é que Jesus continua sendo crucificado ainda em nossos dias, geralmente pelos que se consideram os “pastores mais certinhos”, os engessados em suas próprias hipocrisias!
          Que frutos se esperam da vinha plantada e cuidada com tanto carinho? O Senhor espera dela o direito e a justiça. Estabelecer o direito e a justiça é uma exigência de Deus como expressão de fidelidade à Aliança entre Deus e seu povo. Nosso Deus, que é Deus da vida e do amor, quer que, em nosso meio, reine a justiça, respeite-se o direito de todos, em especial dos mais pobres.
          Na Bíblia, a opressão contra os mais pobres é considerada um homicídio. Os vinhateiros são homicidas não só porque matam os enviados, inclusive o Filho, mas também porque despojam o pobre, violam o direito, não dão os frutos da justiça que pede o Senhor. Por ser assim, o Reino de Deus vai ser entregue a outras pessoas.
          O fato de sermos cristãos não nos garante o Reino. Somos escolhidos para sermos sinal do amor, da misericórdia e da salvação de Deus. É preciso provar essa escolha com frutos e ações concretas de justiça e direito. Ser cristão é dar a vida. Se colocarmos em prática o Evangelho, o Deus da paz vai estar conosco e dessa paz seremos testemunhas no mundo em que vivemos.
          Entrando no mês dedicado às missões, peçamos a Deus a fidelidade a seu serviço, para que sejamos dignos de sua eleição.
                    Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão nosso abraço amigo e fiel,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Is 5,1-7; Sl 79(80); Fl 4,6-9 e Mt 21,33-43).