terça-feira, 2 de dezembro de 2008

São José ficou surpreso com a gravidez de Nossa Senhora?

R= Sim: “Maria, sua mãe, comprometida em casamento com José, seu esposo, antes que coabitassem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. José, seu esposo, sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente, resolveu repudiá-la em segredo. Enquanto assim decidia, eis que o Anjo do Senhor manifestou-se a ele em sonho, dizendo: “José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo…” (Mt 1,18-20).


“Depois daqueles meses acompanhando e prestando ajuda a Isabel, Maria voltou a Nazaré. Foi então que José pôde dar-se conta da gravidez de sua esposa. O Filho de Deus encarnado amoldava-se aos ritmos da natureza, e crescia no seu seio. Foi para José uma enorme surpresa, uma descoberta que o sumiu numa grande confusão. Aquilo não encaixava de nenhum modo. Isto não quer dizer que José não suspeitasse o caminho da verdade, que não entrevisse entre névoas a sombra do mistério. Ele nunca pensou mal de Maria. O conhecimento que tinha d’Ele, as suas conversas íntimas, a graça refletida no seu rosto, a sua alegria… não permitiam nem um longínquo mau pensamento.

Por seu lado, Maria não se comportava como uma mulher culpável, não se envergonhava como se tivesse feito algo mal. O seu olhar era claro, limpo, sereno, como sempre, ainda que às vezes olhasse para ele, para José, com uma especial compaixão. O seu semblante era inclusive mais radiante que em meses anteriores… Mas o anjo disse-lhe ainda mais: Ela dará à luz um filho, a quem porás (tu, José, pai dele diante da lei) o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. E José tomou Maria com todo o mistério da sua maternidade; tomou-a juntamente com o Filho que chegaria ao mundo por obra do Espírito Santo, demonstrando assim uma disponibilidade, uma grande abertura para os planos de Deus, semelhante à de Maria” (Pe. Francisco Fernández-Carvajal, Vida de Jesus, III).

Em qual cidade Nossa Senhora deu a luz o Menino Jesus?

R= Na cidade de Belém: “Também José subiu da cidade de Nazaré, na Galiléia, para a Judéia, na cidade de Davi, chamada Belém, por ser da casa e da família de Davi, para se inscrever com Maria, sua mulher, que estava grávida. Enquanto lá estavam, completaram-se os dias para o parto, e ela deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o com faixas e reclinou-o numa manjedoura, porque não havia um lugar para eles na sala” (Lc 2, 4-7).

“Belém era a terra de Davi (Belém “Beth-Lehem”, significa CASA DO PÃO. Encontra-se a uns cento e cinqüenta quilômetros de Nazaré, e a uns sete de Jerusalém). Ali estava a sua parentela. Situada ao sul de Jerusalém, em tempos de Jesus não era mais que uma aldeia avançada no deserto, fortificada com muros e torres. Os filisteus tinham-na convertido em praça forte e o rei Toboão, filho de Salomão, tinha aumentado consideravelmente as suas defesas (Cfr. 2 Cr 10, 6). A sua importância, porém, era puramente estratégica. A modesta população vivia uma vida sossegada, dedicada quase exclusivamente ao pastoreio e ao cultivo das poucas terras de labor que, em forma de terraços escalonados, a rodeavam e que com muito trabalho, sobretudo na época das chuvas, conseguiam defender dos desabamentos constantes. Nestes terraços cresciam romãzeiras, amendoeiras, macieiras, algumas vides e, sobretudo, figueiras e oliveiras.

Contudo, Belém era chamada a frutífera, Éfrata, nome patronímico da região. A sua situação, não longe do caminho de montanha entre Hebron e Jerusalém, constituía um bom albergue de fim de etapa para os viajantes.

Era realmente a mais pequena das cidades de Israel, mas, apesar da sua insignificância, era ilustre na história do povo escolhido. É mencionada pela primeira vez nos Livros Sagrados com motivo da morte de Raquel, mulher de Jacó, que foi sepultada no caminho de Éfrata, que é Belém, como diz o Gênesis 35, 19. Mas a sua glória principal era a de ter sido a pátria de Davi, o glorioso chefe de que haveria de descender o Messias.

Maria sabia que o seu Filho era também Filho de Davi. Este apelativo converteu-se no mais popular dos títulos messiânicos. Os doentes e as multidões repeti-lo-ão com freqüência no curso da vida pública de Jesus. E Ele aceita-lo-á; unicamente acrescentará que é também o Filho de Alguém maior que Davi” (Pe. Francisco Fernández-Carvajal, Vida de Jesus, IV).

Nossa Senhora foi bem recebida em Belém?

R= Não.

“Eis que já entram em Belém esses dois excelsos viajantes, José e Maria, que traz no seio o Salvador do mundo. Entram na cidade, dirigem-se para a casa do ministro imperial, afim de pagarem o tributo e serem alistados nos registros dos súditos do César. Mas quem os reconhece? Quem lhes vai ao encontro? Quem lhes oferece agasalho? Eles são pobres, e como pobres são desprezados; são tratados ainda pior do que os outros pobres, e até repelidos.

Chegada a Belém, Maria entendeu que se aproximava a hora de seu parto. Avisou a São José, e este diligenciou achar agasalho em uma casa dos habitantes de Belém, afim de não ter de levar sua esposa à hospedaria, lugar pouco conveniente para uma tenra donzela. Ninguém quis atender-lhe o pedido, e é bem verossímil que da parte de alguém fosse taxado de insensato por trazer consigo a esposa próxima ao parto em tempo noturno e de tanta afluência de povo. — Para não ficar durante a noite no meio da rua, viu-se afinal obrigado a levar a Virgem Maria à hospedaria pública, onde já muitos pobres se tinham alojado para a noite. Mas como? Também dali foram repelidos e foi-lhes respondido que não havia lugar para eles. Havia ali lugar para todos, também para os mais desprezível, mas não para Jesus Cristo” (Santo Afonso Maria de Ligório, Meditações).

Em qual lugar então a Virgem Santíssima deu a luz ao Menino Jesus?

R= Em uma gruta, aos arredores de Belém.

“Vendo-se repelidos de toda parte, São José e a Bem-aventurada Virgem saem da cidade afim de achar fora dela ao menos algum abrigo. Os pobres viandantes caminham na escuridão, errando e espreitando; afinal depara-se-lhes ao pé dos muros de Belém uma rocha escavada em forma de gruta, que servia de estábulo para os animais. Disse então Maria: José, meu Esposo, não precisamos ir mais longe; entremos nesta gruta e fiquemos aqui” (Santo Afonso Maria de Ligório, Meditações).

Nossa Senhora encontrou uma gruta limpa, aquecida e aconchegante?

R= Não.

“Mas como ? Respondeu-lhe São José; não vês, minha Esposa, que esta gruta é tão fria e úmida, que a água escorre em toda parte? Não vês que não é uma morada para homens, senão uma estribaria para animais? É verdade, tornou Maria, que este estábulo é o palácio real onde quer nascer o Filho eterno de Deus” (Santo Afonso Maria de Ligório, Meditações).


Como Maria Santíssima deu a luz ao Menino Jesus?

R= “Quando Maria Santíssima entrou na gruta, pôs-se logo em oração. De súbito vê uma refulgente luz, sente no coração um gozo celestial, abaixa os olhos, e, ó Deus! Que vê? Vê já diante de si o Menino Jesus, tão belo e tão amável, que enleva os corações. Mas treme e chora; segundo a revelação feita a Santa Brígida, estende as mãozinhas para dar a entender que deseja que Maria o tome nos braços” (Santo Afonso Maria de Ligório, Meditações).

Maria Santíssima é Mãe de Deus?

R= Sim.

“1. Para poder entender esta sublime verdade é necessário fixar claramente alguns pontos certos, aceitos por todos.

A- Quando dizemos: “Maria é Mãe de Deus”, devemos entender que Maria é mãe do FILHO DE DEUS, Jesus Cristo, o qual é Deus como o Pai e como o Espírito Santo.

B- Quando dizemos: “Maria é Mãe de Deus”, não devemos entender que Maria tenha GERADO em seu seio A DIVINDADE de Jesus Cristo.

C- Quando dizemos: “Maria é Mãe de Deus”, não devemos entender que Maria tenha dado INÍCIO à vida do Filho de Deus.

D- Quando dizemos: “Maria é Mãe de Deus”, não devemos entender que o Filho de Deus tenha começado a existir no seio de Maria.

Nada disso.

E- Vamos pela ordem. O Filho de Deus é PESSOA DIVINA, própria e individua.

O Filho de Deus é igual ao Pai e ao Espírito Santo na natureza divina.

Antes de se ENCARNAR no seio de Maria, o Filho de Deus era PURÍSSIMO ESPÍRITO.

Antes de se ENCARNAR, NÃO EXISTIA JESUS CRISTO, como HOMEM-DEUS, mas só existia o Filho de Deus, puríssimo espírito.

JESUS CRISTO, HOMEM E DEUS, UNIDOS NA MESMA PESSOA DIVINA, começou a existir no seio de Maria, pela AÇÃO do Espírito Santo.

No seio de Maria, a PESSOA DO FILHO DE DEUS ASSUMIU A CARNE HUMANA e se tornou JESUS CRISTO, totalmente DEUS e totalmente HOMEM.

Mas a PESSOA DE JESUS CRISTO ficou exclusivamente PESSOA DIVINA.

De modo tal que, todas as ações de Jesus Cristo, todos os milagres, todas as ofensas, todas as dores e sofrimentos, etc., eram atribuídas exclusivamente à ÚNICA PESSOA DE JESUS CRISTO, QUE ERA PESSOA DIVINA.

Maria, gerando e dando à luz Jesus Cristo, gerou e deu à luz o Filho de Deus feito CARNE, unido substancialmente à natureza humana.

Noutras palavras, Maria deu à luz não uma natureza humana, mas a PESSOA do FILHO de Deus, unida substancialmente à natureza humana de Cristo.

Por isso, Maria é mãe do Filho de Deus, feito homem.

Pelo motivo que Jesus Cristo é DEUS, é lógico que Maria é MÃE DE DEUS.


PROVA NA SAGRADA ESCRITURA

A- Já no Antigo Testamento, o profeta Isaías assim declarava: “Eis que a Virgem concebe e dá à luz um Filho e lhe será dado o nome de Emanuel” (Is 7, 14). Emanuel significa DEUS CONOSCO. Esta profecia se refere diretamente a Cristo, Filho de Deus.

B- O anjo disse a Maria: “Por isso, o Menino que nascer de ti será chamado FILHO DE DEUS” (Lc 1, 35).

C- O apóstolo Paulo também declara: “Deus mandou seu Filho ao mundo, nascido de MULHER” (Gl 4, 4).

D- Isabel, REPLETA DO ESPÍRITO SANTO, ao ver Maria em sua casa, assim a saúda: “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre. DONDE ME VEM QUE A MÃE DO MEU SENHOR ME VISITE? (Lc 1, 41-42).

E- “Celebravam-se núpcias em Caná da Galiléia e estava lá a Mãe de Jesus” (Jo 2, 1-12)” (Frei Battistini, Maria nosso sim a Deus, Capítulo 8).


Em qual cidade Nossa Senhora levou o Menino Jesus a fim de apresentá-lo ao Senhor?

R= Em Jerusalém: “Quando se completaram os dias para a purificação deles, segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém a fim de apresentá-lo ao Senhor” (Lc 2, 22).


“Depois da circuncisão havia que cumprir duas cerimônias, segundo o disposto: a mãe devia purificar-se da impureza legal contraída; e o filho primogênito devia ser apresentado, entregue, ao Senhor e depois resgatado.

Empreenderam o caminho para Jerusalém. Desde Belém, a viagem de ida e vinda fazia-se com comodidade numa jornada.

A Virgem, acompanhada por São José e levando Jesus nos seus braços, apresentou-se no Templo confundida entre o resto das mulheres, como uma mais. Cumpre-se a antiga profecia: Virá o Desejado de todas as gentes e encherá de glória este templo (Ag 2, 7).

A Lei de Moisés prescrevia em primeiro lugar a purificação da mãe de uma impureza que a impedia de tocar qualquer objeto sagrado ou de entrar num lugar de culto.

Em virtude desta lei, quarenta ou oitenta dias depois do parto, segundo se tratasse de um filho ou de uma filha, estavam obrigadas as mães a apresentar-se no Templo de Jerusalém (Lv 12, 1-8). Podia atrasar-se a viagem se existiam razões de certo peso; por exemplo, se a mulher que acabava de ser mãe devia ir dentro dum breve prazo à cidade santa para celebrar alguma das grandes festas religiosas, ou se habitava muito longe de Jerusalém. Neste caso, outra pessoa podia em seu nome oferecer os sacrifícios prescritos. Não obstante, as mães israelitas procuravam com empenho cumprir pessoalmente a lei. Aproveitaram além disso esta ocasião para levar consigo o seu primogênito, cujo resgate associavam à cerimônia da sua purificação. A Virgem fez aquela curta viagem de Belém a Jerusalém com gozo, e apresentou-se no Templo com o seu Filho de poucos dias nos braços.

Este preceito, na realidade, não obrigava Maria. Assim pensavam os primeiros escritores (Ver especialmente Santo Hilário, Hom. 18, sobre los Evangelios), pois Ela era puríssima e concebeu e deu à luz o seu Filho miraculosamente. Por outro lado, a Virgem não buscou nunca ao longo da sua vida razões que a eximissem das normas comuns do seu tempo. Como em tantas ocasiões, a Mãe de Deus comportou-se como qualquer judia da sua época. Quis ser exemplo de obediência e de humildade (Cfr. Suma Teológica, 1-2, q. 1, a. 2): uma humildade que a levava a não querer distinguir-se das outras mães pelas graças com que Deus a tinha adornado. Como uma jovem mãe se apresentou naquele dia, acompanhada de José, no Templo. A purificação das mães tinha lugar pela manhã, a seguir ao rito da incensação e da oferenda chamada do sacrifício perpétuo. Situavam-se no átrio das mulheres, no estrado mais elevado da escalinata que conduzia desde este átrio ao de Israel. O sacerdote aspergia-as com água lustral e recitava sobre elas umas orações. Mas a parte principal do rito consistia na oblação de dois sacrifícios. O primeiro era o expiatório pelos pecados: uma rola ou um pombo constituíam a sua matéria. O segundo era um holocausto, que para os que podiam consistia num cordeiro de um ano e, para os pobres, numa rola ou num pombo. Maria ofereceu o sacrifício das famílias modestas” (Pe. Francisco Fernández-Carvajal, Vida de Jesus, IV).


Por que Nossa Senhora teve que fugir para o Egito?

R= Porque o rei Herodes queria matar o Menino Jesus: “O Anjo do Senhor manifestou-se em sonho a José e lhe disse: ‘Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito. Fica lá até que eu avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar” (Mt 2, 13).


“Bem pode cada qual adivinhar o que padeceu Maria nessa viagem. Da Judéia ao Egito era muito longe a jornada. Com Sebastião Barradas, fala-se, geralmente, em mais de cem horas de caminho. Por isso a viagem durou pelo menos trinta dias. Além disso, como descreve Boaventura Barrádio, era o caminho desconhecido e péssimo, cortado de carrascais e pouco freqüentado. Estava-se no inverno e a Sagrada Família teve de viajar debaixo de aguaceiros, neves e ventos, por estradas alagadas e lamacentas. Quinze anos tinha então Maria; era uma donzela delicada, nada afeita a semelhantes viagens. Finalmente não tinham os fugitivos quem lhes servisse. José e Maria, na frase de São Pedro Crisólogo, não tinham nem criados nem criadas; eram senhores e criados ao mesmo tempo. Meu Deus! Como excita a compaixão ver essa tenra virgenzinha, com esse Menino recém-nascido ao colo, fugindo por este mundo! Boaventura Baduário pergunta: Aonde iam comer e dormir? Em que hospedagem ficariam? Qual podia ser o alimento deles, senão um pedaço de pão duro trazido por São José ou recebido como esmola? Onde hão de ter dormido durante a viagem, especialmente durante as 50 horas da travessia do deserto, sem casas e hospedaria? Onde, senão a areia ou debaixo de alguma árvore do bosque, ao relento, expostos aos ladrões e às feras, tão abundantes no Egito? Oh! Quem encontrasse então esses três grandes personagens, tê-los-ia certamente tomado por ciganos e mendigos” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado II, II).


Maria Santíssima teve uma vida confortável no Egito?
R= Não.

“No Egito Maria habitou em um lugar chamado Matarieh, conforme afirmam Burcardo de Saxônia e Jansênio Gandense, embora Strabo diga que moravam na cidade de Heliópolis. Aí sofreram extrema pobreza, durante sete anos que permaneceram escondidos, segundo Santo Antonino e Santo Tomás e outros autores. Eram estrangeiros, desconhecidos, sem rendimentos, sem dinheiro e sem parentes. A muito custo conseguiam sustentar-se com o fruto de suas fadigas. Por serem pobres, escreve São Basílio, era-lhes bem penoso conseguir o indispensável para passar a vida” (Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria, Parte 2, Tratado II, II).

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