quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Maria conhecia a misericórdia de Deus Pai


A humanidade deve exultar por poder caminhar junto com Deus Pai! Somos criaturas privilegiadas a quem foi dada a capacidade de experimentar Sua presença em nossas vidas, em todas as suas circunstâncias. E é pela intensidade dessa experiência que iremos reconhecer a face de Deus, quando por Ele formos salvos. E o seremos não por nossos méritos, mas pela misericórdia de Deus. E, por isso, devemos não só nos exultar, mas, sobretudo, transbordar de alegria por um Deus que habita em nós e que constantemente espera por nosso amor.

A mãe de Jesus conhecia a misericórdia de Deus Pai. Trazia desde sempre em seu coração as certezas inerentes ao amor com que o Senhor conduzia os passos de seus filhos e sabia ler Seus caminhos nos textos das Escrituras e nas histórias da tradição de seu povo.

Maria experimentou desde a sua tenra idade esse caminhar com o Pai e sabia que era Ele o seu verdadeiro Salvador, por isso desde sempre o seu espírito exultava. Por isso, reconhece a misericórdia de Deus “que olha a humildade de sua serva” (cf. Lc 1, 37) e tem certeza de que é essa mesma misericórdia que faz com que Deus deseje entrar no meio de humanidade como um de nós. Por isso, ao encontrar a prima Isabel, será capaz de proclamar o quanto exulta e o quanto Deus é bom.

Com seu Filho, caminhará encontrando Nele a misericórdia concreta, vivida de forma pura, ainda que um não fosse reconhecida pelos homens e mulheres de seu tempo. Como enxergar, então, a misericórdia de Deus diante da Cruz de Cristo?

Maria enxergou. E aos pés de Seu filho permaneceu, sabendo que o Pai sofria em silêncio, e conseguia perdoar a cada um daqueles algozes e que uma vez mais estenderia as mãos em sinal de fidelidade e aliança com seu povo: Jesus ressuscitaria! A morte não era o fim. Deus soube aproveitar da dor e da tristeza para fazer nascer vida e provar à humanidade que era, sim, o Pai de misericórdia e que sempre estaria presente, ainda que não fosse possível enxergá-lo.

A origem humana e o sofrimento de Maria fizeram com que Ela se aproximasse definitivamente da humanidade. Através dela somos capazes de compreender o coração amoroso de Deus e podemos descobrir seu poder restaurador de nossas dores.

Testemunhemos, pois, a certeza de que nosso coração está no coração do Pai. Testemunhemos que Ele é a única presença que nunca nos deixa. Testemunhemos que é Ele o nosso salvador, amparo e consolador. Desta forma, estaremos exaltando o espírito humano e o Espírito de Deus. Tal como Maria sejamos, pois, testemunhas vivas do Senhor que caminha conosco, ainda que estejamos a enfrentar tempestades ou quando o caminho não nos parece suficientemente seguro ou claro.

Texto para oração: Lc 1, 39-56

Gilda Carvalho
gilda@puc-rio.br

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