quinta-feira, 11 de março de 2010

MARIA, TRANSPARÊNCIA DE DEUS


Em Sua Criação, uma palavra, entre todas as que o Pai pronunciou, foi absolutamente singular. Esta não poderia ser tanto objeto da inteligência como da intuição. Nem esplendor do divino sol, porém sombra doce e suave. Leve nuvem branca que, em seu percurso, vem suavizar a luz do sol, muito viva para os nossos olhos. Estava nos planos da Providência que o Verbo se fizesse carne. Uma palavra, a Palavra, deveria ser inscrita, em carne e sangue, aqui na Terra, e esta Palavra carecia de uma base, de um pano de fundo.
As harmonias celestes desejavam, ardentemente, por amor a todos nós, transportar seu concerto único para as nossas tendas. Era preciso encontrar o silêncio para que o concerto ecoasse. Aquele que conduziria a humanidade, para dar sentido aos séculos passados, para iluminar e arrastar os seres no seguimento de Seus passos pelos séculos que viriam, deveria surgir na cena deste mundo. Porém, fazia-se necessária uma tela imaculada onde Ele pudesse resplandecer.
O maior entre todos os projetos que o Amor de Deus poderia imaginar, deveria ser traçado em linhas majestosas e divinas.
Uma paleta completa de virtudes estaria reunida num coração humano disposto a servi-Lo.
Esta admirável sombra, a portar o sol dentro de si, cede-lhe lugar e nele se encontra; esta tela imaculada, este abismo insondável que contém a Palavra, o Cristo, e n´Ele se perde, luz dentro da Luz; este sublime silêncio que já não mais se cala, porque no seu interior cantam as divinas harmonias do Verbo; e que se torna, n´Ele, a nota musical entre todas as notas, o "lá" do canto eterno, elevando-se do Paraíso; o cenário majestoso e esplêndido como a natureza, onde se concentra a beleza derramada em profusão, no universo, pelo Criador: Este universo reservado ao Filho de Deus, que se esquece de si próprio, tendo como interesse primordial Aquele que deveria descer à Terra e que desceu, Aquele que viria para cumprir Sua obra e que assim o fez; este arco-íris de virtudes que sugere e inspira a "paz" a todos os seres, ofertou a Paz ao mundo; esta criatura, criada pela Santíssima Trindade, em seu insondável mistério, e que nos foi ofertada, é Maria.
Nós não saberíamos falar sobre ela: nossas palavras tornam-se cantos. Difícil é refletir sobre a sua vida: nós a amamos e a invocamos. Ela é objeto, não de especulações do espírito, mas da poesia. Os maiores gênios do universo colocaram seus pincéis e suas penas a seu serviço.
Se Jesus encarna o Verbo, a Palavra (o Lógos), a Luz, a Razão, ela personifica a Arte, a Beleza, o Amor.
Maria, obra-prima do Criador, é aquela na qual o Espírito Santo liberou Sua genialidade, aquela na qual Ele derramou a torrente de suas inspirações.
Como ela é bela, Maria! Jamais a cantaremos o suficiente.

Chiara Lubich
Fundadora do movimento dos Focolares

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