terça-feira, 20 de abril de 2010

Ele é o Filho de Deus; mas é, igualmente, Filho de Maria



Os santos Anjos que adoram com ternura a criança de Belém, adoram, estremecidos de deslumbramento, o vencedor do sepulcro. Mais impetuoso do que a luz que penetra o cristal, o ressuscitado transpôs o obstáculo que se lhe opunha; a enorme pedra que fechava a entrada da caverna, e que o poder público havia lacrado. Além disso, o local estava rodeado de soldados armados que faziam a guarda.

Tudo permaneceu intacto; e Ele está liberado, aquele que triunfou; que venceu a morte; assim, conforme manifestam, com unanimidade, os santos Doutores, Ele surgiu aos olhos de Maria no estábulo, sem ter provocado nenhuma violência ao seio materno. Estes dois mistérios de nossa fé se unem e proclamam a primeira e a última palavra da missão do Filho de Deus: no início, uma Virgem-Mãe; no final, um túmulo selado que devolve o seu cativo.

Jesus ressuscitado, sem que nenhuma criatura tivesse contemplado a sua glória, atravessou o espaço, e esteve com sua santa Mãe. Ele é o Filho de Deus, vitorioso contra a morte; mas é, igualmente, Filho de Maria.

O Santo Evangelho não relata a aparição do Salvador à sua Mãe, enquanto se estende sobre todas as outras aparições. O motivo é fácil de ser entendido. As outras aparições tinham como objetivo promulgar a ocorrência da ressurreição; a aparição à Maria foi um fato reclamado pelo coração de um filho, e de um filho como Jesus. A natureza e a graça exigiam, ao mesmo tempo, este primeiro encontro, cujo mistério enternecedor faz as delícias das almas cristãs.
Este primeiro encontro, não tinha necessidade de estar consignado no livro sagrado; a tradição dos Padres, a começar pela que foi relatada por santo Ambrósio, já bastava para no-lo transmitir, caso nossos corações não o houvessem pressentido; e quando nos perguntamos "Por que o Senhor, que deveria elevar-se do santo sepulcro num Domingo, desejou erguer-se desde as primeiras horas daquele dia, antes mesmo que o sol tivesse iluminado o universo?", nós nos juntamos, sem dificuldade, ao sentimento dos piedosos e sábios autores que atribuíram a esta diligência do Filho de Deus o ardor que inflamava seu coração, o de acabar com a dolorosa espera da mais terna e sofredora das mães.

Dom Propsper Guéranger (1805 - 1875)
O Ano Litúrgico - O tempo Pascal - A Páscoa

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