segunda-feira, 12 de julho de 2010

O Pequeno Ofício de Nossa Senhora


O Pequeno Ofício não pode ser considerado uma das primeiras versões breves do Breviário, mas pode ser considerado o mais utilizado e o mais popular. Até o Concílio Vaticano II foi a oração litúrgica de inúmeras comunidades religiosas, principalmente as de vida apostólica e algumas ordens terceiras (Carmelitas, Franciscanos, Dominicanos, Agostinianos e etc.), também os oblatos beneditinos, algumas abadias e conventos e com certeza inúmeros cristãos leigos.


Seu surgimento oficial deu-se na Alta Idade Média quando foi incluído no Livro das Horas, posteriormente ocorreu sua expansão como forma de combate a Reforma, antes do CVII todas as edições do Breviário Romano, Monástico, Carmelita e Dominicano possuíam uma versão do Pequeno Ofício; alguns lugares mantiveram formas próprias como a Diocese de Braga em Portugal.

Para alguns existiria um Ofício da Bem-Aventurada Virgem Maria na Abadia Beneditina de Monte Cassino, elaborada pelo Papa Zacarias (741-752). Sua origem pode ser anterior, mas sua origem será sempre monástica.
Em muitos mosteiros foram sendo acrescentados pequenos ofícios ao Breviário, em parte pelo fato dos irmãos de coro disponibilizarem de maior tempo (os irmãos "conversos" ou "leigos" ficavam responsáveis pelos trabalhos manuais e outras atividades) e pelo costume de se rezar por inúmeras intenções (mortos, benfeitores, guerras e etc.). Assim surgem os ofícios da Bem-Aventurada Virgem Maria e o da Santa Cruz.

Em 1095 o Papa Urbano II no Concílio de Clermont convidou os cristãos a organizarem uma cruzada e aos clérigos que adicionassem o Pequeno Ofício da Virgem Maria ao Breviário, é a primeira vez que o Pequeno Ofício é citado por um papa e colocado em destaque, tal obrigação permaneceu até 1568 depois do Concílio de Trento.

Não existiu somente uma única versão do Pequeno Ofício, cada localidade ou comunidade possuía seu uso próprio, surgiram assim os usos de "Sarum", “Paris, “Cartuxa”, “Carmelo”, “Citeuax”, “Braga” e obviamente “Roma”“. É comprovada a existência de um outro Pequeno Ofício da Bem-Aventurada Virgem Maria entre as Irmãs do Santíssimo Salvador - Brigitinas (Santa Brígida), com a diferença de que era um Ofício completo e com obrigação de ser cantado sempre no coro pelas monjas.

Importante dizer que alguns institutos nunca utilizaram o nome "Pequeno Ofício", mas somente Ofício da Bem-Aventurada Virgem Maria. Em 1568 São Pio V aboliu inúmeras outras formas e permaneceu somente o modelo romano até o CVII, ele também liberou os clérigos da obrigação de rezá-lo, mesmo que algumas ordens tenham mantido a tradição. Entre os leigos ocorreu o oposto, inúmeros "Pequenos" foram impressos em "Primários" (pequenos livros devocionais) e passaram a fazer parte das orações diárias de muitos cristãos.

As novas comunidades religiosas que surgiam passavam a adotar o Pequeno Ofício, na maioria das ordens contemplativas as monjas com votos solenes possuíam obrigação de rezá-lo. As Monjas da Visitação fundadas por São Francisco de Sales rezavam o Pequeno Ofício, Beneditinas e Dominicanas alemãs que chegaram à América no século XIX tentaram manter o espírito contemplativo diante das inúmeras tarefas (hospitais e escolas) rezando o Ofício durante certo tempo. As Irmãs do Santíssimo Salvador ainda possuem sua própria versão do Ofício e algumas comunidades que faziam uso do Breviário no início (Irmãs Escolares de Nossa Senhora, Irmãs Carmelitas Corpus Christi) diante do intensivo trabalho exigido adotaram o Pequeno Ofício também.


Embora, muito utilizado e popular, o Ofício possuía como inconveniente o fato de ser incompleto não abrangendo todo o Ano Litúrgico, tentou-se ajustá-lo com três tempos, mas o Ofício permanecia o mesmo todos os dias. Durante o século XX ,para alguns religiosos, uma renovação litúrgica e motivadora era necessária, em 1953 Pe. Augusto Bea SJ (futuro cardeal) preparou uma versão que chamou “ampliada”, ampliou os tempos de três para seis e adicionou vinte e oito festas com antífonas e orações próprias. O sumo pontífice Pio XII incentivou o uso desta versão, mesmo assim outras versões possuíam permissão de uso.


Para as comunidades que desejavam expressar mais claramente seu amor a Santíssima Virgem e desejavam uma variedade maior no Ofício do que o proposto na edição “ampliada” do Pe. Bea, em 1955 a Congregação para os Religiosos incentivou a utilização de um novo Pequeno Ofício da Bem-Aventurada Virgem Maria elaborado pelos Monges da Abadia de En Calcat (França). Tal versão possuía o Saltério dividido em suas semanas, todo o Ano Litúrgico, um ciclo santoral e uma grande inovação: leituras diárias.


A Constituição sobre Liturgia do Concílio Vaticano II acrescentou uma nova dimensão ao Pequeno Ofício, sendo ele rezado com obrigatoriedade ou por devoção, o fiel tomava parte na oração litúrgica da Igreja da mesma forma com os que rezavam o Breviário.

No entanto, em 1966 os religiosos e leigos foram encorajados a usarem o Breviário ao menos na parte da manhã e a tarde, começou assim o desaparecimento do Pequeno Ofício. Na versão conciliar do Breviário publicada em 1973 não constava o Pequeno Ofício da Bem-Aventurada Virgem Maria. Alguns institutos adotaram o novo Breviário com o Pequeno Ofício em forma de devoção particular (Carmelitas Descalços).


Na Ordem de São Bruno (cartuxos) por tradição os monges rezam o Pequeno Ofício em suas celas, os Cistercienses o rezavam no coro em complemento ao Breviário.

Desse modo percebemos a importância do Ofício da Bem-Aventurada Virgem Maria na vida da Igreja. Agora é o momento de resgatar essa belíssima e filial devoção, tomar como nossa para que assim, por meio da intercessão da Santíssima Virgem, possamos alcançar a glória da vida eterna!

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