domingo, 19 de setembro de 2010

NOSSA SENHORA DA SALETE -19 de setembro


Entre o mal e nós, existe esta mãe cujas lágrimas lhe escorrem até os joelhos
A Virgem Santíssima, rainha da França, não tem nada desses soberanos constitucionais que reinam, mas não governam. Maria leva suas funções a sério e não se deixa confinar num papel puramente decorativo. No século XIX não existia um só lugar, na França, onde não tremulasse, ao vento, um pedacinho do seu véu azul. Catarina Labouré, Teodoro e Alfonso Ratisbonne não são as únicas almas pessoalmente favorecidas pela Rainha do Céu, ao lhes revelar, sorrindo, seu nome irresistível. Na grande confusão de almas desvairadas ─ adensando-se cada vez mais─, de paixões desenfreadas, de espíritos e vontades obscurecidos, Maria interveio nos momentos estratégicos e, conforme relato das Escrituras, Ela é um exército, e se posicionou, pronta para a batalha. Inicialmente, em La Salette.

Nós, os homens (e para saber o que são os homens, basta lembrar do dia de ontem e do jornal desta manhã), nós vimos esta mãe, sofrida, mergulhada em tanta tristeza, a chorar. O Bom Deus não é o culpado pelas tragédias tão terríveis que nos envolvem, como se Ele não existisse ou como se fosse nosso inimigo, e isso traz tantas consequências! Será que, para uma mãe, não vale a pena romper, digamos, todas as conveniências naturais, todos os hábitos e leis de nosso habitat físico, para advertir os filhos insensatos, que não se dão conta do que estão fazendo, não sabem o mal que ocasionam e o perigo que correm?

Entre o mal e eles, agora existe, não somente os mandamentos do catecismo, mas esta Mãe cujas lágrimas lhe escorrem até os joelhos.

Paul Claudel, 27 de maio de 1953.
Publicado em Maria, janeiro-fevereiro de 1954

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