terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O Rosário protege a fé



Podemos afirmar que entre as famílias e os povos que conservam a prática do Rosário, dando-lhe o respeito, a honra e a devoção como antigamente, não há motivo para temer que a ignorância ou o veneno do erro possam destruir a fé.

Leão XIII escreveu doze Encíclicas sobre o Rosário. Destacamos o seguinte trecho: "Queira Deus - é este um ardente desejo nosso - que esta prática de piedade retome em toda a parte o seu antigo lugar de honra! Nas cidades e nas aldeias, nas famílias e nos locais de trabalho, entre as elites e os humildes, seja o Rosário amado e venerado como insigne distintivo da profissão cristã e o auxílio mais eficaz para nos propiciar a divina clemência" (Encíclica Jucunda semper de 8/9/1894).

Leão XIII

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Agora que estás sentada à sua direita...


O Evangelho das Bodas de Cana é celebrado, pela Igreja Copta, no dia 21 de janeiro. Nesta data se comemora a poderosa intercessão e a maternal e amorosa mediação de Maria. Como exemplo, vejamos este manuscrito redigido por autor anônimo:

"Em Caná da Galileia, após ter interpelado seu Filho e após ter conhecido a vontade d´Ele, tu deste esta ordem aos serventes: 'Fazei tudo o que Ele vos disser'" [Jo 2, 5]. Jesus disse aos criados: "Enchei as talhas de água" Eles as encheram, imediatamente, até as bordas. E teu Filho transformou a água em vinho verdadeiro e bom, utilizando seu poder divino, sob a influência da tua palavra. Como será agora, quando estás sentada à sua direita, no mais alto dos céus, se intercederes junto d´Ele, em favor de uma alma vil e miserável, quase inexistente? Oh! Tu poderás salvá-la, tu que salvaste nosso pai, Adão e nossa mãe, Eva, do suplício eterno!"

Manuscrito árabe 278, f 26 v-27r. Arquivos do museu copta do velho Cairo.
Gabriele Giamberardi, Il culto mariano in Egito, Jerusalém, 1974, vol. 3, pág. 159

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Dois amores se unem num só



Um santo bispo nos deu uma grande ideia sobre o que significa o amor materno de Maria, ao dizer estas belas palavras: "Para formar o amor de Maria, dois amores se unem num só" (...).

Eu pergunto: que mistério é esse, e o que significa a união desses dois amores? Eis a sua explicação: "É que a Virgem Santíssima dedicava a seu Filho o amor que ela devia a um Deus e que ela dedicava a Deus, igualmente, o amor que devia a um filho."

Se compreenderdes estas palavras, vereis que não poderíamos imaginar algo de maior, de mais forte, ou de mais sublime que pudesse expressar o amor da Virgem Santíssima, pois o santo bispo quer nos fazer entender que a natureza e a graça convergem, unidas, para criar impressões mais profundas no coração de Maria.
Não existe nada de mais forte nem de mais indubitável, de mais decisivo, do que o amor que a natureza concede a um filho ou do amor que a graça concede para dedicarmos a Deus. Estes dois gêneros de amor são dois abismos, nos quais não conseguimos penetrar na profundidade, nem compreender toda a sua extensão.

Aqui, porém, podemos dizer com o Salmista: Abyssus abyssum invocat: "Um abismo chama um outro abismo", pois, para formar o amor da Virgem Santa, foi preciso amalgamar tudo o que a natureza possui de mais terno com a graça mais eficaz. A natureza participou forçosamente, porque este amor envolvia um filho; a graça, por sua vez, agiu porque este amor dizia respeito a um Deus: Abyssus.

Mas o que ultrapassa a imaginação é que a natureza e a graça comum não bastam, porque não é próprio à natureza encontrar um filho em um Deus, e não é próprio à graça, pelo menos à graça comum, prosaica, fazer com que se ame um Deus na pele de um filho. Necessário se faz, então, que elevemos o nosso pensamento.
Cristãos, permiti que eu exponha, hoje, meus pensamentos acima da natureza e da graça, e que eu busque a fonte deste amor no seio do Pai eterno.

O que me comove e faz com que eu me sinta extremamente agradecido, é que o divino Filho do qual Maria é a Mãe, é seu Filho e é Deus. "Aquele que nascerá de ti - lhe diz o Anjo - será chamado o Filho do Altíssimo, o Filho de Deus." Assim, Maria está unida a Deus Pai, tornando-se Mãe de seu Filho único, "que lhe é comum, com o Pai eterno pela forma com que ela o gera".

Porém, se Deus, que quis lhe dar seu Filho, comunicar-lhe a sua virtude, espalhar sobre ela a sua fecundidade para concluir a sua obra, obviamente, deve ter derramado em seu casto seio, alguns raios ou algumas centelhas do amor que Ele tem por este Filho único, que é o esplendor de sua glória e a imagem viva de sua substância. Foi daí que nasceu o amor de Maria; e o amor que Ela tem por seu Filho lhe foi conferido pela mesma fonte que lhe concedeu o próprio Filho.

Após esta misteriosa comunicação, o que direis, ó raciocínio, ó inteligência humana? Pretendeis poder compreender a união de Maria com Jesus Cristo? Pois, esta união tem algo a ver com a perfeita unidade existente entre o Pai e o Filho. Não tentareis explicar este amor materno vindo de fonte tão alta e sublime... Este amor é, simplesmente, o derramar do amor do Pai sobre o Filho único.
O milagre contínuo era o de Maria ter conseguido viver separada de seu bem-amado (...)

Porém, posso relatar-vos de que forma terminou tal milagre? (...) Se me permitis, cristãos, de contar o que penso, eu atribuo este último efeito, não a movimentos extraordinários, mas somente à perfeição do amor da Virgem Santíssima.

Mas, como este divino amor reinava em seu coração, sem qualquer obstáculo, e ocupava todos os seus pensamentos, aumentando e avivando-se a cada dia, por sua própria ação, aperfeiçoando-se pelos seus desejos, multiplicando-se por si mesmo e que, estendendo-se sempre, chegou, finalmente, a tal perfeição, a tal ponto que a Terra não era mais capaz de o conter.

Jacques-Bénigne Bossuet
Primeiro Sermão para a festa da Assunção da Virgem Santíssima, primeiro ponto

Nossa Senhora Aparecida, Rainha do Brasil




No transcurso da história comovedora da imagem morena de sua Rainha e Mãe tão amada, homens e mulheres de todas as condições e culturas a proclamaram "Soberana". Eis porque, meu venerável predecessor, Pio X, sensibilizado com a solicitação dos filhos devotos da Virgem Aparecida, coroou Nossa Senhora como Rainha do Brasil, no ano de 1904. Este patrocínio de Maria sobre uma nação não é algo que acontece sem o concurso de seus protegidos, mas supõe seu livre consentimento, a cada dia renovado; supõe que o peçam e se façam dignos dele, encarnando-o num compromisso de vida inspirado pelas certezas profundas e sólidas da fé.

A certeza de que o patrocínio de Maria, sob o título de Aparecida, inclui, por parte de seus súditos, um compromisso de se darem as mãos, uns aos outros, no esforço para que o país se converta naquilo mesmo que Maria deseja, uma vez que Ela o adotou como propriedade sua: uma terra onde imperem a hospitalidade, a cordialidade, a capacidade de dialogar, de "compor", mais do que "opor".

"Feliz do povo, cujo Senhor é Deus, cuja Rainha é a Mãe de Deus!"


Papa João Paulo II,
carta a Monsenhor Raimundo Damasceno de Assis para o centenário da coroação da estátua de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O soldado protestante e o Ícone de Maria


Corria o ano de 1939. Nossas tropas (alemãs) ocupavam uma cidadezinha não longe de Varsóvia. Extenuados após cansativa marcha forçada, nós nos instalamos numa casa burguesa. Tudo o que queríamos era dormir, apesar dos insistentes sibilos das balas e explosões das bombas estrondeando, por todos os lados, e cada vez mais frequentes e violentos...

De repente, um estalido medonho, o teto desaba... Uma explosão... Estilhaços de obuses... Uma terrível nuvem de poeira... Bloqueado, preso entre uma viga e cadeiras quebradas, lado a lado com alguns companheiros mortos, consegui me libertar e recuperar o ar...

A casa inteira transformara-se em escombros. Apenas um lanço de parede estava de pé, fixo, intacto. Tratava-se de um Ícone, a imagem da Mãe de Deus tão venerada pelos católicos. Tinha nas mãos um terço, e me olhava com ternura...

Eu sou protestante, e fui educado quase sem religião... Durante a expedição militar, notei que a maior parte de meus companheiros católicos tinham uma imagem da Virgem Maria ou um terço nas mãos, que desfiavam confiantes, nos momentos difíceis. Eu estava a observar a imagem quando uma segunda bomba ia se anunciando. Instintivamente, precipitei-me para aquele lanço que sobrara das paredes, arranquei o Ícone que lá estava e apertei-o junto ao meu coração. A bomba explodiu fragorosamente e seus estilhaços mataram três companheiros meus.

Quando recobrei os sentidos, ainda tinha a imagem em minhas mãos. Eu não tinha coragem de me desfazer dela. Levei-a para casa como lembrança da maravilhosa proteção que recebera. Com amor, coloquei o meu tesouro no bolso interno do dólmã.

Naquela noite, retomamos a investida. Metralhadoras e armas automáticas semeavam a morte em nossas fileiras. Num curto momento de acalmia, tateei, sobre meu peito, o ícone que estava coberto de grossa camada de cobre. Para meu espanto, descobri nele uma bala incrustada, que teria trespassado meu coração, se não tivesse atingido o Ícone. Emocionado até as lágrimas, e cheio de reconhecimento, recoloquei minha querida Madonna sobre o coração.

Isto se passou há muitos anos. Mas jamais esquecerei como o Ícone da Mãe de Deus salvou a minha vida. Contei esta história para minha mulher e meus filhos. Todos veneram com muito amor aquela que trouxe um pai e esposo, são e salvo, de volta à sua família.

Hoje, esta imagem está num nicho, num lugar de honra, ornada de flores e velas acesas e, a cada dia, nós nos reunimos em volta dela e, juntos, fazemos nossas orações. "Por que suprimimos em nossa religião a devoção a Maria, Mãe de Jesus?"

Saarbrucken, 22 de novembro de 1948 (segundo A. Dewald).
Relatado e traduzido por Frei Albert Plfeger, marista, em seu Florilégio Mariano, 1980

Nazaré é a escola do Evangelho



Nazaré é a escola onde se começa a compreender a vida de Jesus: a escola do Evangelho. Em Nazaré aprendemos a olhar, a ouvir, a meditar e a penetrar o significado profundo e misterioso desta simplíssima, humilde e belíssima revelação do Filho de Deus. Talvez possamos aprender até mesmo a imitá-lo, sem nos darmos conta disso.

Em Nazaré aprende-se o método que nos permite compreender quem é Cristo. Em Nazaré descobrimos a necessidade de observar o cenário, o panorama de sua estada entre nós: os lugares, os costumes, o idioma, as práticas religiosas, tudo o que envolveu Jesus, e de que Ele se serviu para se revelar ao mundo. Em Nazaré, tudo nos fala, cada detalhe tem um sentido. Aqui, em Nazaré, nesta escola, compreende-se a necessidade de uma disciplina espiritual, se o nosso desejo é o de seguir os ensinamentos do Evangelho e o de nos tornarmos discípulos de Cristo.

Oh, como desejaríamos voltar a ser crianças e retornar a esta humilde escola de Nazaré, como gostaríamos de, pertinho de nossa Mãe, Maria, recomeçar a adquirir a verdadeira ciência da vida e a sabedoria superior das verdades divinas! Mas tudo o que fazemos é passar... É necessário que conservemos o desejo de, a partir deste local, darmos continuidade à educação jamais conclusa, ao aprofundamento da inteligência do Evangelho. Nós não partiremos enquanto não tivermos recolhido às pressas e como que, às escondidas, algumas breves lições de Nazaré.

Homilia de Paulo VI, em Nazaré
5 de janeiro de 1964