segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Nos passos de Maria



“Vivemos uma época em que muitos personagens que se apresentam como modelos são, na verdade, figuras caricatas e que não acrescentam nada à vida. Maria Santíssima é o modelo mais bem acabado de como podemos viver realmente como filhos e filhas de Deus. Nela podemos repousar e sentir segurança diante das lutas diárias que temos pela frente tanto quanto o cuidado das mãos ternas da Boa Mãe quando diante de alguma aflição.” [Título do mais recente livro do Professor Luiz Alexandre Rossi, mestre e doutor em Teologia, professor e coordenador do mestrado na Pontifícia Universidade Católica do Paraná: “Nos passos de Maria”].
Penso que “Nos passos de Maria” traz uma pergunta inevitável a todos nós: em meus passos que faria a Virgem Maria? Imagino que essa pergunta poderia modificar completamente o comportamento de cada um de nós porque, de uma certa forma, antecipa o que deveríamos fazer, pensar, sentir”. … Entre os muitos sons e vozes que escutamos no decorrer do dia, necessitamos, urgentemente, reservar tempo para ouvir a voz da Mãe de Deus.
Acredito que muitos se acostumaram com ruídos em suas vidas e, por causa disso, perderam a sensibilidade e não conseguem mais ouvir “as coisas do alto e do coração”.
Nesta perspectiva somos levados a considerar Nossa Senhora como modelo de vida, aquela que soube deixar-se modelar pelo Espírito Santo e dar ao mundo Aquele que mudaria os rumos da história e de cada um de nós.
Sendo-lhe devotos, Maria Santíssima quer que sejamos como ela, filhos e filhas que sabem viver como ela viveu. Ser como a mãe co-redentora é a sua maior alegria.
Assim nós brasileiros e brasileiras, tivemos no dia 12 de outubro uma data que nos leva a contemplar o olhar da Mãe, que intercede pelos seus filhos que vivem nesta terra de Santa Cruz. Ver e contemplar o olhar da Mãe que intercede junto a seu Filho: “eles não têm mais vinho”.
É a Mãe que na festa de núpcias percebe que está faltando um vinho diferente. É a Mãe que vê a necessidade de mudar a festa de casamento em uma festa de sabor diferente, de um vinho melhor.
É a Mãe que percebe a hora do Filho atuar, mudando o rumo dos acontecimentos, saindo da mesmice passageira do comer e beber a custa dos noivos.
Foi ali naquela festa que Nossa Mãe anunciou o início dos sinais de um tempo diferente dizendo “fazei tudo o que Ele disser”. O novo e definitivo caminho será o da obediência atenta ao Filho, o Mestre e Senhor.
Assim, nos “Passos de Maria” queremos continuar nossa vida, na certeza de que temos uma intercessora junto a Jesus Cristo e com ela pedimos a Deus que derrame sobre nosso querido Brasil, bênçãos e graças, especialmente sobre os políticos eleitos até agora.
Agradecer e suplicar as luzes, e levantar nosso olhar, firmando os passos na prática da justiça, da misericórdia e da paz, principalmente com as crianças inocentes.

Dom Anuar Battisti
Fonte: Arquidiocese de Campo Grande

sábado, 27 de novembro de 2010

Maria Arca da Aliança


Maria é contada em sua ladainha como a Arca da Aliança. Sabemos que os 10 mandamentos eram a aliança de Deus com seu povo escolhido.
No Antigo Testamento é comum observamos a veneração dos hebreus para com esta Arca da Lei do Senhor. Josué e seu povo, perdendo a coragem com tanta perseguição “prostrou-se com a face por terra até a tarde diante da Arca do Senhor (Josué 7. 6a), mostrando todo o respeito ao objeto que guardava a misericórdia de Deus com eles e as futuras gerações.

A Arca da Aliança, nada mais é que a figura daquela que guardaria em seu ventre a própria Lei encarnada, Jesus Cristo, a Nova Aliança.

Devemos rezar com Maria, pois ela é o modelo perfeito da pureza e obediência à Deus. Temos o direito de assim proceder, pois não há pecado na Virgem Maria. Prosseguindo junto a Josué e os filhos de Israel, vamos constatar no passado que a Javé, nosso Deus, nenhuma coisa é impossível. Podemos afirmar que rezar com Maria é o modo mais puro de conversar com Nosso Senhor, pois ela é Imaculada Conceição. A torrente do pecado não poderia, pelos méritos de Jesus, inundar o corpo da genitora de Deus.

Alguns “cristãos” por aí não rezam pra e com Maria pois colocam-na ao nível dos pecadores, afirmando que segundo uma Lei Geral, todos os homens pecaram. Josué também achava ser uma Lei Geral, um rio manter o seu curso, até o Senhor de toda a terra manifestar Seu poder.

Estamos juntos aos hebreus, com a Arca da Aliança. Dobramos nossa tenda de ignorância e partimos afim de atravessar o Jordão. Os sacerdotes que levam a Arca do Senhor mergulharam seus pés na beira do rio e “as águas que desciam para o Mar da Planície, o Mar Salgado, foram completamente separadas” (Josué 3, 16b). Nós atravessamos defronte de Jericó a pé enxuto.

Mais tarde, rezando com Josué, prostrados por terra, podemos meditar e verificar que nenhuma Lei Geral é superior ao poder de Javé, “porque a Deus nenhuma coisa é impossível” (Lc 1, 37).

A oração é a via direta da intimidade de Deus e seus filhos. Foi através deste suporte que o Espírito Santo desceu sobre Maria e os Apóstolos reunidos com a primeira comunidade cristã na inauguração oficial da Igreja... no Cenáculo. A nossa Tradição guarda com carinho a presença de Maria neste momento tão importante para aqueles que viriam dar testemunho de Cristo, pois ela é a fonte de inspiração para a caminhada orante dos mesmos.

Se quisermos deixar Deus fazer em nossa vida um novo Pentecostes, é necessário a presença da Cheia de Graça, Virgem Maria, pois dela nos veio a maior prova de amor do Todo Poderoso, NSJC, e é por ela que virá sobre nós Aquele que a envolveu com a Sua sombra no momento da Encarnação do Verbo. Basta um pouco de boa vontade para saber que a única Mulher, a mais bendita entre todas e capaz de esmagar a cabeça da serpente infernal com seu “sim” de serva fiel, é a Virgem Maria, a nova Eva e Mãe do Deus vivo. Não devemos temer exaltá-la, pois quando louvamos a nossa Mãe Celestial, o Espírito Santo se manifesta trazendo Seus Dons, dando sentido à nossa existência. Um grande exemplo desta manifestação do Espírito por Maria está na Visitação à prima Isabel, que recebe o Esposo com uma simples saudação da Virgem Esposa.

“O Espírito e a Esposa dizem: vem! Possa aquele que ouve dizer também: vem! Aquele que tem sede, venha! E que o homem de boa vontade receba gratuitamente, da água da vida! (Ap 22, 17). Com Maria vivamos uma vida de oração para recebermos do Espírito, por meio dela, a água da vida, seu Filho Cristo Jesus. Digamos com nossa Mãe: “Eis aqui os teus servos, Senhor, faça-se em nós segundo a Tua Palavra”. Amém.

Fernando Nogueira Filho – Vocacionado Carmelita.

Membro Auxiliar do Praesidium Mãe da Divina Graça – Pretrolina/ Pernambuco.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

São Cirilo de Alexandria: Discurso pronunciado no Concílio de Éfeso sobre Maria




Salve, ó Maria, Mãe de Deus, virgem e mãe, estrela e vaso de eleição! Salve, Maria, virgem, mãe e serva: virgem, na verdade, por virtude daquele que nasceu de ti; mãe por virtude daquele que cobriste com panos e nutriste em teu seio; serva, por aquele que amou de servo a forma! Como Rei, quis entrar em tua cidade, em teu seio, e saiu quando lhe aprouve, cerrando para sempre sua porta, porque concebeste sem concurso de varão, e foi divino teu parto. Salve, Maria, templo onde mora Deus, templo santo, como o chama o profeta Davi, quando diz: “O teu templo é santo e admirável em sua justiça” (Sl 64). Salve, Maria, criatura mais preciosa da criação; salve, Maria, puríssima pomba; salve, Maria, lâmpada inextinguível; salve, porque de ti nasceu o sol da Justiça! Salve, Maria, morada da infinitude, que encerraste em teu seio o Deus infinito, o Verbo unigênito, produzindo sem arado e sem semente a espiga incorruptível! Salve, Maria, mãe de Deus, aclamada pelos profetas, bendita pelos pastores, quando com os anjos cantaram o sublime hino de Belém: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade” (Lc 2,14). Salve, Maria, Mãe de Deus, alegria dos anjos, júbilo dos arcanjos que te glorificam no céu! Salve, Maria, Mãe de Deus: por ti adoraram a Cristo os Magos guiados pela estrela do Oriente; salve, Maria, Mãe de Deus, honra dos apóstolos! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem João Batista, ainda no seio de sua mãe exultou de alegria, adorando como luzeiro a perene luz! Salve, Maria, Mãe de Deus, que trouxeste ao mundo graça inefável, da qual diz são Paulo: “apareceu a todos os homens a graça de Deus salvador” (Tt 2,1). Salve, Maria, Mãe de Deus, que fizeste brilhar no mundo aquele que é luz verdadeira, a nosso Senhor Jesus Cristo, que diz em seu Evangelho: “eu sou a luz do mundo!” (Jo 8,12). Deus te salve, Mãe de Deus, que iluminaste aos que estavam em trevas e sombras de morte; porque o povo que jazia nas trevas viu uma grande luz (Is 9, 2), uma luz não outra senão Jesus Cristo nosso Senhor, luz verdadeira que ilumina todo homem que vem a este mundo (Jo 1,9). Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem se apregoa nos Evangelhos: “bendito o que vem em nome do Senhor!” (Mt 21,9), por quem se encheram de igrejas nossas cidades, campos e vilas ortodoxas! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem veio ao mundo o vencedor da morte e o destruidor do inferno! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem veio ao mundo o autor da criação e o restaurador das criaturas, o Rei dos céus! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem floresceu e refulgiu o brilho da ressurreição! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem luziu o sublime batismo de santidade no Jordão! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem o Jordão e o Batista foram santificados e o demônio foi destronado! Salve, Maria, Mãe de Deus, por quem é salvo todo espírito fiel! Salve, Maria, Mãe de Deus, – pois acalmaste e serenaste os mares para que pudessem nossos irmãos cooperadores e pais e defensores da fé, serem conduzidos, com alegria e júbilo espiritual, a esta assembléia de entusiásticos defensores de tua honra!
Também aquele que, levando cartas de perseguição, sendo derrubado pela luz do céu no caminho de Damasco, falou sobre ti e confirmou para o mundo a fé na Trindade consubstancial, de um só Senhor, de um só batismo; de um só Pai, um só Filho, um só Espírito Santo; da substância inseparável e simplicíssima; da divindade incompreensível do Senhor Deus de Deus, Luz de Luz, Esplendor da Glória, que nasceu de Maria Virgem, conforme o anúncio do Arcanjo: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo, o Espírito Santo descerá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com sua sombra, e por isso o santo que de ti nascer será chamado Filho de Deus vivo” (Lc 1,35). Não somente o sabemos pelo arcanjo Gabriel; também Davi, no vaticínio que canta diariamente a Igreja, nos diz: “O Senhor me disse: és meu filho; no dia de hoje te gerei” ( Sl 2,7). Já o sábio Isaías, filho do profeta Amós, profeta nascido de profeta, o predissera: “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho e seu nome será Emanuel, que significa Deus conosco” (Mt 1,23).
Por isso todos os que formos fieis às Escrituras, seguindo os caminhos de Paulo, ouvindo as vozes dos profetas clamar-te-ão Bem aventurada.. Todos os que formos seguidores dos Evangelhos permaneceremos como disse o profeta: seremos como “oliveira fértil na casa de Deus” (Sl 51), glorificando a Deus Pai Todo Poderoso, a seu Filho UNIGÊNITO que nasceu de Maria e ao vivificante Espírito Santo, que se comunica a todos na vida; submissos aos fidelíssimos imperadores, honrando as rainhas, discretas e santas virgens, no seu amor à fé ortodoxa de Cristo de Jesus, nosso Senhor a quem se deve a glória pelos séculos dos séculos . Amém.

Fonte:http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/s_cirilo_de_alexandria_discurso_sobre_maria.html

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Maria e o Perfil do Intercessor




Uma das mais belas heranças que recebemos de nossa fé é a certeza de que vivemos numa comunhão profunda no corpo de Cristo, que é a Igreja. Somos sustentados pelo amor e pela intercessão uns dos outros. Não só entre nós que estamos ainda peregrinando nesse mundo em direção à Casa do Pai, mas também com aqueles que nos precedem na glória e que já contemplam sua Santa Face e que, por isso, muito mais eficazmente podem interceder por nós.

O próprio Jesus insiste para que oremos uns pelos outros: "Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus. Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou no meio deles" (Mt. 18, 19).

O intercessor é alguém que não só é aberto a essa consciência da força da oração, mas quer dar um passo a mais. Ele quer dar uma resposta ao apelo do Senhor que nos chega através do profeta Ezequiel: "Tenho procurado entre eles alguém que construísse o muro e se detivesse sobre a brecha diante de mim, a favor da terra, a fim de prevenir a sua destruição, mas não encontrei ninguém" (Ez. 22, 30). Esse ministério de colocar-se "na brecha" foi cumprido absolutamente em Jesus, como nos atesta a carta aos Hebreus: "É por isso que lhe é possível levar a termo a salvação daqueles que por ele vão a Deus, porque vive sempre para interceder em seu favor" (Hb. 7, 25). Jesus é o único mediador entre Deus e os homens (1Tim. 2, 5), mas somos chamados a nos unirmos ao Seu ministério, como intercessores.

Maria, intercessora, nos ensina a interceder

Maria ocupa um lugar único como intercessora, devido ao seu papel também único na história da salvação; por isso recorremos à sua intercessão. E quantas graças têm sido derramadas sobre nós pela intercessão de nossa doce Mãe.

Entretanto, Maria não só intercede por nós, como nos ensina por sua vida a sermos intercessores. Ela é o grande modelo do intercessor. Vejamos algumas características que marcam o perfil do intercessor:

a) O intercessor é alguém levantado por Deus
"Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus" (Lc. 1, 30). "Vai, porque este homem (Saulo) é para mim um instrumento escolhido..." (At. 9, 15a). "Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça..." (Jo. 15, 16). Assim como Deus escolheu Maria, Paulo e tantos outros, a iniciativa no chamado a interceder é do próprio Deus. Ele planta esse desejo no coração do servo como uma semente, mas toda semente precisa brotar e se desenvolver para dar frutos. Muitos cristãos não se tornam intercessores porque não cultivam a semente recebida.

b) O intercessor é alguém que cultiva o silêncio
"Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração" (Lc. 2, 19). "Permaneça só e em silêncio, quando Deus lho determinar" (Lam. 3, 28). O intercessor cultiva momentos de silêncio orante no seu dia-a-dia para que, mesmo em meio aos seus afazeres, esse espírito de recolhimento esteja em sua alma. Assim, ele estará atento aos sussurros do Espírito em seu interior. O silêncio tem aqui também o sentido de guardar sigilo. Quando o intercessor toma conhecimento direto ou indireto de uma determinada questão, ele guarda isso em seu coração. Desta forma, ele é sempre uma pessoa discreta e nunca dada a comentários ou fofocas.

c) O intercessor é alguém que se faz presente
"Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galiléia, e a mãe de Jesus estava presente" (Jo. 2, 1). O intercessor não é alheio, ausente ou distante das realidades concretas da vida. Seu mund0 é o mundo de Deus e o mundo dos homens. O evangelista quando destaca a presença de Maria, não o faz aleatoriamente. Maria era alguém extremamente próxima da vida de seu povo. Assim, o intercessor participa de todos os momentos de alegria e pujança ao seu redor, como também sabe que as dores da humanidade são suas dores.

d) O intercessor é alguém que tem os olhos abertos para as situações, muitas vezes não aparentes
"Como viesse a faltar vinho, a Mãe de Jesus disse-lhe..." (Jo. 2, 3). Maria certamente percebeu a falta do vinho, antes que os convidados o percebessem. Seu olhar estava atento ao que se passava nos "bastidores" da festa. O intercessor desenvolve, pela ação do Espírito Santo, a sensibilidade diante do que acontece ao redor, mesmo que as pessoas ainda não percebam. Muitas dessas realidades são até mesmo sutis, no campo espiritual e exercem sua influência no campo físico-psíquico-social, como nos alerta São Paulo a respeito da batalha espiritual (cf. Ef. 6, 12; Dn. 10, 7). E o intercessor não só leva a Deus estas situações, mas também procura agir na prática para encaminhá-las.

e) O intercessor é alguém que fala com Jesus
"... a mãe de Jesus disse-lhe: Eles já não têm vinho" (Jo. 2, 3) O intercessor sempre leva a Jesus todas as realidades. Tudo é motivo de oração para ele: tanto de louvor, gratidão, como também de súplica ou entrega. E ele faz isso porque é íntimo de seu Senhor e tudo é nEle, por Ele e para Ele. O "vinho" pode ser concretamente a saúde, o emprego, a falta de paz, os conflitos, as guerras, as dores todas pelas quais passa a humanidade. Sempre haverá alguma situação onde o vinho acabou ou está acabando.

f) O intercessor é alguém que não teme os aparentes "não" de Deus
"Respondeu-lhe Jesus: Mulher, isso compete a nós?..." (Jo. 2, 4). À primeira vista, a resposta de Jesus foi mal educada e parece até desprezar sua mãe, mas "mulher" aqui é "ishah", a nova mulher (referência ao Gênesis), a nova Eva, não mais infiel e marcada pelo pecado, mas obediente aos planos de Deus. O intercessor não teme um não de Deus, pois mesmo quando Deus diz "não" é em vista de um sim, "porque todas as promessas de Deus são sim em Jesus" (2Cor. 1, 20).

g) O intercessor é alguém que sabe esperar o tempo de Deus
"... Minha hora ainda não chegou" (Jo. 2, 4). A hora de Deus pode ser agora ou depois. Naquele momento, Jesus realizou o seu primeiro milagre (v. 11), significando a união (bodas) de Deus com seu povo, aliança que seria concluída definitivamente nas Bodas da Cruz. O intercessor não focaliza sua atenção no imediato, como se Deus tivesse que realizar agora (na categoria do tempo) a sua obra. Por outro lado, ele sabe que tudo é agora em Deus, pois Ele é eterno e tudo é uma questão de tempo. Portanto, sabe que Deus sempre dará uma resposta e crê e espera por essa resposta.

h) O intercessor é alguém comprometido, antes de tudo, com a Vontade de Deus
"Disse, então, sua mãe aos servidores: Fazei tudo o Ele vos disser" (Jo. 2, 5). Esta é a palavra que Maria está dirigindo continuamente à Igreja: fazei tudo o que meu Filho vos disser! O intercessor está comprometido não com a urgência de uma determinada situação, mas com a Vontade de Deus. Ele não promete a alguém, em nome de Deus, que tudo se resolverá como se espera nem tampouco oferece um consolo vazio e sem sentido. Mais do que palavras, ele oferece sua presença e sabe que a Vontade de Deus é sempre o nosso bem e "que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm. 8, 28). Isso, por vezes, é vivido em meio à dor, como Jesus o viveu em sua agonia (Mt. 26, 36-46).

i) O intercessor é alguém que tudo coloca diante do Senhor
"Jesus ordena-lhes: Enchei as talhas de água. Eles encheram-nas até em cima" (Jo. 2, 7). Eles poderiam ter enchido as talhas até um certo ponto, até mesmo por comodismo. Não era o patrão deles que estava mandando e, ainda por cima, cada talha era grande e pesada, quando muito cheia, pois comportava cerca de 100 litros. Se não tivessem enchido até o máximo, teriam perdido uma quantidade considerável de um vinho de altíssima qualidade. O intercessor leva tudo ao coração de seu Mestre. Não é colocar apenas uma parte da vida ou de nossas necessidades e sim o todo. E não é também colocar o que está fora, mas o que está dentro. A vida do intercessor é consagrada a Jesus. Ele deixa que o Senhor comece a obra sobretudo nele mesmo. Por apresentar sua vida inteira, o intercessor prova da excelência do vinho.

j) O intercessor é alguém que permanece de pé, mesmo diante da dor
"Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena" (Jo. 19, 25). Quando se enfrenta a dor, aí está o grande desafio e prova para a vida do cristão e, nisso, do intercessor. Ele aprende a transformar a dor em intercessão também. Nessa hora, as palavras podem não existir, mas persiste a postura de permanecer. Jesus mesmo insistiu sobre o permanecer (Jo. 15, 1-8). E é permanecendo nele que os frutos vêm. A dor torna-se assim o grande sacrifício de louvor, oferecido sobre o altar da cruz, como disse Paulo: "Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual" (Rm. 12, 1).

l) O intercessor é alguém que vive da esperança e é "memória viva da esperança"
"Quero trazer à memória aquilo que me dá esperança. É graças ao Senhor que não fomos aniquilados, porque não se esgotou sua piedade. Cada manhã ele se manifesta e grande é sua fidelidade. Disse-me a alma: o Senhor é minha partilha, e assim nele confio" (Lam. 3, 21-24). Maria diante da cruz vive intensamente a dor da perda de seu Filho, mas é alimentada pela esperança que sua fé lhe traz. O intercessor cultiva um espírito de esperança, mesmo diante das situações mais difíceis, pois sua alma contempla as promessas do Senhor. E ainda mais: ele procura ser memória viva de esperança no meio da comunidade cristã e daqueles que sofrem. Alimenta não o que causa desalento, mas o que projeta horizontes de esperança.

m) O intercessor é alguém que ora e vive como Igreja
"Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele" (At. 1, 14). Maria, a cheia do Espírito Santo, estava junto aos discípulos quando Pentecostes aconteceu. Ela que já havia experimentado a plenitude do Espírito, agora intercede pela Igreja que estava para viver seu primeiro Pentecostes. Assim é a presença de Maria junto à Igreja até a volta gloriosa de Jesus: intercedendo para que a Igreja experimente o poder de Pentecostes. O intercessor está no coração da Igreja. Mesmo orando no segredo de seu quarto, ele ora como parte do Corpo de Cristo e com a Igreja. Todas as intenções e necessidades da Igreja são suas necessidades. Mas ele não só ora como Igreja, como também vive profundamente unido à Comunidade de fé, no amor, na oração e na partilha da vida.

Maria seja exemplo da perfeita discípula, suscitando entre nós aqueles que queiram se colocar "na brecha". Nossa Senhora do Rosário, Mãe da Igreja, rogai por nós!

Autor: Pe. Sérgio Luiz e Silva

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Padres da Igreja e a Mariologia


A Mariólogia¹ tem sua origem nas raízes do Cristianismo, o primeiro a mencionar aspectos mariológicos e pontos sob a figura de Maria no plano de Salvação em Cristo e a estudá-la foi Santo Ireneu de Lião (†202) Grande Pai Ocidental da Igreja em sua obra; “De Recapitulacionae” explica-nos; é o primeiro a declarar Maria como a nova Eva mãe do novo Adão;
mais tarde muitos outros Pais da Igreja, demostraram em suas obras a devoção e piedade cristã que deste dos primeiros crentes tinha-se por Nossa Senhora, fato que herdou a Teologia Católica com o estudo Mariológico fazendo compreender “A missão de Maria na História da Salvação” (BOFF, Clodovis. 2009, p.11).

“As etapas da salvação da humanidade são percorridas no sentido inverso ao da queda, desligando-se progressivamente, os laços das últimas até as primeiras [...] É assim que o laço da desobediência de Eva, sem pecado, mas que peca, é desligado pela obediência de Maria, [...]”.
Mais tarde os padres da Igreja o apoiarão como, por exemplo, no século II, poderíamos citar também S. Justino, (†165); Santo Ireneu (†202) ao qual relacionamos acima: Tertuliano de Cartago, (†220) S. Atanásio, (295-373) Santo Efrém (†373), Escreveu belos hinos de louvor a Maria São Cirilo de Jerusalém (†386); São Cirilo de Alexandria (†444) Doutor Mariano;
Dentre os decorreres dos séculos a figura Mariana entre os Padres da Igreja ficará cada vez mais forte;
Orígenes: afirma; (184-254)
“Maria tem dois filhos, um, homen-Deus e o outro puro homem; de um Maria é Mãe corporal, do outro, Mãe espiritual” (Speculum B.M.V., lect. III art. 1,2º )
Santo Agostinho (354-430) diz;
“A Santíssima Virgem é o meio de que Nosso Senhor se serviu para vir a nós; e é o meio de que nos devemos servir para ir a ele.” (Santo Agostinho Sermo 113 in Nativit. Domini).
São Leão Magno [Grande]:(400-461) diz;
“Digo com os Santos: Maria Santíssima é o paraíso terrestre” (S. Leão Grande; Sem. de Annuntiatione)
São Germano de Constantinopla - (610-733) Diz;
“Pois ninguém fica cheio do pensamento de Deus se não for por ela” (S. Germano de Constantinopla : Sermo 2 in Dormit.)
São Ildefonso de Sevilha (†636) diz;
“Eis por que, quanto mais, em uma alma, ele encontra Maria, sua querida e inseparável esposa, mais operante e poderoso se torna para produzir Jesus Cristo nessa Alma, e essa alma em Jesus Cristo.” (S. Ildefonso, Líber de Corona Virginis, cap. III).
S. João Damasceno (675-749) este que em suas inúmeras obras falou e ensinou muito a respeito de Nossa Senhora diz;
“Tudo que convém a Deus pela natureza, convém a Maria pela graça.” ( Sermo 2 in Dormitione B. M.).
“Prendemos, as almas à vossa esperança, como a uma âncora firme”: (S. João Damasceno; Sermo 1 in Dormitione B. M.V.)
“Ser vosso devoto, ó Virgem Santíssima, é uma arma de salvação que Deus dá, aqueles que quer salvar.” ( São João Damasceno).
“Os olhos não viram, o ouvido não ouviu, nem o coração do homem compreendeu as belezas, as grandezas e excelências de Maria, o milagre dos milagres da graça” (S. João Damasceno, Oratio I de Nativitati B. V.).
S. Gregório Palamás Padre oriental do séc. VIII, em uma de suas Homilia sobre a Mãe de Deus diz;
“Se por um lado, Maria concede a Deus entre os homens, por outro, o Senhor encarna numa virgem Imaculada que está acima de toda a pureza e de toda a santidade”.
A Santa Tradição Apostólica confirmada pelos Pais da Igreja reconhece em Maria, a nova Eva:
Eva foi causa de morte para si e Adão, e para todo homem ao olhar para traz e ouvir o tentador, introduzindo na humanidade o pecado pela desobediência e pelo orgulho as próximas gerações, a segunda Eva Maria, torna-se causa de salvação para si e para humanidade por causa do seu sim (obediência) a Deus, introduzindo a Redenção e a vida, ao homem, por que na sua humildade traz ao mundo a Graça que só ela tinha achado, volto-se e fincou os olhos em Deus. (Santo Ireneu de Lião. Séc. II).
Notas:
Mariologia¹: Matéria teológica pertencente à Teologia Dogmática, estudo dedicado ao estudo da pessoa, lugar e importância de Maria, em âmbitos teológicos como a encarnação do verbo e seu plano soteriológico e junto a Redenção operada por Cristo (Cristológico). Além do papel e devoção apresentada a Mãe de Jesus na Igreja desde seu inicio.
Referencias:
[1] BOFF, Clodovis. Introdução à mariologia. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2009
[2] São Luís Maria Grignion de Montfort. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem. 19ª Edição. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1992.

Fonte: www.espacojames.com.br

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Mulher sublime


A mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo foi a mulher que correspondeu em plenitude à expectativa da raça humana. Maria Santíssima é a “bendita entre todas as mulheres” (Lc 1, 42), mãe que mostrou coragem por “ficar de pé junto à cruz” (Lc 21, 36) e ser bendita “porque acreditou” (Lc 1, 45).

Duas razões comprovam a sublimidade dessa filha de Israel, que foi aquinhoada por Deus com favores não concedidos a mais ninguém neste mundo.

A primeira é de ordem biológica. Cada ser humano é proveniente da conjunção do homem e da mulher, cada um com sua carga genética específica. Dessa conjunção nasce um novo ser, parecido, mas diferente de seus genitores. Nosso Senhor Jesus Cristo, porém, “foi concebido pelo poder do Espírito Santo” (Lc 1, 35), e não teve concurso masculino. Na sua natureza humana, Jesus foi inteiramente, engendrado pela carga genética de Maria.

Por isso Ele deverá ter sido extremamente parecido com Ela, e herdado o seu jeito e suas características.

A segunda razão de sua importância excepcional é de ordem exemplar.

Dos lábios sacrossantos de Nosso Senhor jamais saiu qualquer consideração desairosa contra as mulheres. Suas parábolas nunca trataram as filhas de Deus com desdém. Nos seus ensinamentos elas são apresentadas de maneira simpática, e até grandiosa. Nem no trato com as pessoas, Jesus foi grosseiro para com qualquer mulher. Ele viu na sua mãe uma mulher extremamente querida, mas ao mesmo tempo objetiva, trabalhadora, firme e inteiramente volta para Deus.

É um modelo (exemplar) que nos proporciona facultar uma grande dignidade a todas as mulheres da terra.

(Fone: baseado em www.catequisar.com.br - Dom Aloísio Roque Oppermann, SCJ)