terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Papa na Santa Missa de Natal de 2010




Deus não se limitou a inclinar o olhar para baixo

“Na verdade, as palavras do rito da coroação em Israel não passavam de palavras rituais de esperança, que de longe previam um futuro que haveria de ser dado por Deus. Nenhum dos reis, assim homenageados, correspondia à sublimidade de tais palavras. Neles, todas as expressões sobre a filiação de Deus, sobre a entronização na herança dos povos, sobre o domínio das terras distantes (Sal 2, 8 ) permaneciam apenas presságio de um futuro – como se fossem painéis sinalizadores da esperança, indicações apontando para um futuro que então era ainda inconcebível. Assim o cumprimento da palavra, que tem início na noite de Belém, é ao mesmo tempo imensamente maior e – do ponto de vista do mundo – mais humilde do que a palavra profética deixava intuir. É maior, porque este menino é verdadeiramente Filho de Deus, é verdadeiramente ‘Deus de Deus, Luz da Luz, gerado, não criado, consubstancial ao Pai’. Fica superada a distância infinita entre Deus e o homem. Deus não Se limitou a inclinar o olhar para baixo, como dizem os Salmos; Ele ‘desceu’ verdadeiramente, entrou no mundo, tornou-Se um de nós para nos atrair a todos para Si. Este menino é verdadeiramente o Emanuel, o Deus conosco. O seu reino estende-se verdadeiramente até aos confins da terra. Na imensidão universal da Sagrada Eucaristia, Ele verdadeiramente instituiu ilhas de paz. Em todo o lado onde ela é celebrada, temos uma ilha de paz, daquela paz que é própria de Deus. Este menino acendeu, nos homens, a luz da bondade e deu-lhes a força para resistir à tirania do poder. Em cada geração, Ele constrói o seu reino a partir de dentro, a partir do coração. Mas é verdade também que ‘o bastão do opressor’ não foi quebrado. Também hoje marcha o calçado ruidoso dos soldados e temos ainda incessantemente a ‘veste manchada de sangue’ (Is 9, 3-4). Assim faz parte desta noite o júbilo pela proximidade de Deus. Damos graças porque Deus, como menino, Se confia às nossas mãos, por assim dizer mendiga o nosso amor, infunde a sua paz no nosso coração. Mas este júbilo é também uma prece: Senhor, realizai totalmente a vossa promessa. Quebrai o bastão dos opressores. Queimai o calçado ruidoso. Fazei com que o tempo das vestes manchadas de sangue acabe. Realizai a promessa de ‘uma paz sem fim’ (Is 9, 6). Nós Vos agradecemos pela vossa bondade, mas pedimos-Vos também: mostrai a vossa força. Instituí no mundo o domínio da vossa verdade, do vosso amor – o ‘reino da justiça, do amor e da paz’.”
“‘Maria deu à luz o seu filho primogênito’ (Lc 2, 7). Com esta frase, São Lucas narra, de modo absolutamente sóbrio, o grande acontecimento que as palavras proféticas, na história de Israel, tinham com antecedência vislumbrado. Lucas designa o menino como ‘primogênito’. Na linguagem que se foi formando na Sagrada Escritura da Antiga Aliança, ‘primogênito’ não significa o primeiro de uma série de outros filhos. A palavra ‘primogênito’ é um título de honra, independentemente do fato se depois se seguem outros irmãs e irmãs ou não. Assim, no Livro do Êxodo, Israel é chamado por Deus ‘o meu filho primogênito’ (Ex 4, 22), exprimindo-se deste modo a sua eleição, a sua dignidade única, o particular amor de Deus Pai. A Igreja nascente sabia que esta palavra ganhara uma nova profundidade em Jesus; que n’Ele estão compendiadas as promessas feitas a Israel. Assim a Carta aos Hebreus chama Jesus ‘o primogênito’ simplesmente para O qualificar, depois das preparações no Antigo Testamento, como o Filho que Deus manda ao mundo (cf. Heb 1, 5-7). O primogênito pertence de maneira especial a Deus, e por isso – como sucede em muitas religiões – devia ser entregue de modo particular a Deus e resgatado com um sacrifício de substituição, como São Lucas narra no episódio da apresentação de Jesus no templo. O primogênito pertence a Deus de modo particular, é por assim dizer destinado ao sacrifício. No sacrifício de Jesus na cruz, realiza-se de uma forma única o destino do primogênito. Em Si mesmo, Jesus oferece a humanidade a Deus, unindo o homem e Deus de uma maneira tal que Deus seja tudo em todos. Paulo, nas Cartas aos Colossenses e aos Efésios, ampliou e aprofundou a ideia de Jesus como primogênito: Jesus – dizem-nos as referidas Cartas – é o primogênito da criação, o verdadeiro arquétipo segundo o qual Deus formou a criatura-homem. O homem pode ser imagem de Deus, porque Jesus é Deus e Homem, a verdadeira imagem de Deus e do homem. Ele é o primogênito dos mortos: dizem-nos ainda aquelas Cartas. Na Ressurreição, atravessou o muro da morte por todos nós. Abriu ao homem a dimensão da vida eterna na comunhão com Deus. Por fim, é-nos dito: Ele é o primogênito de muitos irmãos. Sim, agora Ele também é o primeiro de uma série de irmãos, isto é, o primeiro que inaugura para nós a vida em comunhão com Deus. Cria a verdadeira fraternidade: não a fraternidade, deturpada pelo pecado, de Caim e Abel, de Rômulo e Remo, mas a fraternidade nova na qual somos a própria família de Deus. Esta nova família de Deus começa no momento em que Maria envolve o “primogênito” em faixas e O reclina na manjedoura. Supliquemos-Lhe: Senhor Jesus, Vós que quisestes nascer como o primeiro de muitos irmãos, dai-nos a verdadeira fraternidade. Ajudai-nos a tornarmo-nos semelhantes a Vós. Ajudai-nos a reconhecer no outro que tem necessidade de mim, naqueles que sofrem ou estão abandonados, em todos os homens, o vosso rosto, e a viver, juntamente convosco, como irmãos e irmãs para nos tornarmos uma família, a vossa família.”

- Bento XVI, Homilia na Santa Missa da Noite de Natal
24 de dezembro de 2010

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Como a Igreja Católica canta o Natal




O Natal é cantado por todos os povos com seus estilos próprios, em Vladivostock, no Ceilão, no Pamir, ou em qualquer recanto do mundo. Porque a alma universal da Igreja Católica está em todas as latitudes.

Porém, a Igreja, Ela mesma, comemora o Natal com seu canto próprio: o cantochão, cantado a uma só voz, sem ritmo, sem acompanhamento, sem ornatos, aproveitando o som das palavras para sublinhar seu significado profundo.


Mas, transmitindo uma alegria serena que sobe diretamente ao Céu, um recolhimento que exclui todas as coisas da Terra, sem agitação nem folia, dizendo com toda naturalidade o que tem a dizer.

O cantochão é a voz da Igreja cantando o dom do Espírito Santo, que Deus a ela comunicou por meio de Nossa Senhora.

Na extrema simplicidade de cada uma das palavras cantadas está contida uma catedral de significados e imponderáveis.

O canto da “Ave Maria” é um sublime exemplo.

São Gabriel apresentou-se diante de uma Virgem, e disse que Ela conceberia do Divino Espírito Santo e seria a Mãe de Deus.

O Evangelho narra com toda simplicidade: “Ave Maria, cheia de graça...”

Com essa singeleza, o arcanjo transmite a mensagem aguardada durante milênios pelos Patriarcas e pelos Profetas.

A Santíssima Virgem ficou perplexa e o anjo lhe esclareceu.

Ela então deu a resposta mais dócil do mundo: “Eis aqui a Escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa palavra” ‒ “Ecce Ancilae Domini, fiat mihi secundum verbum tuum”.

Serena, tranqüila, admiravelmente disse tudo. Tudo simples e inocente, mas com elevadíssimo significado.

Cada palavra reflete a ordem do universo como uma catedral sonora.

Ó serenidade, ó tranqüilidade, Ó dignidade e caráter profundamente religioso como o cantochão!

É a voz da Igreja cantando o dom que Deus concedeu a Nossa Senhora, ao sopro do Espírito Santo!

Assim a Igreja comemora o Natal, Ela, a alma dos tesouros de todos os Natais diferentes da Terra!

Fonte:Orações e milagres medievais

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ORAÇÃO DE NATAL




Senhor, nesta Noite Santa,
depositamos diante de Tua manjedoura
todos os sonhos, todas as lágrimas e
esperanças contidos em nossos corações.

Pedimos por aqueles que choram
sem ter quem lhes enxugue uma lágrima.
Por aqueles que gemem
sem ter quem escute seu clamor.

Suplicamos por aqueles que Te buscam
sem saber ao certo onde Te encontrar.

Para tantos que gritam paz,
quando nada mais podem gritar.

Abençoa, Jesus-Menino,
cada pessoa do planeta Terra,
colocando em seu coração um pouco
da luz eterna que vieste acender
na noite escura de nossa fé.

Fica conosco, Senhor!

Assim seja!Amem

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Coroa de Nossa Senhora


Discurso de S. Pio X sobre Nossa Senhora

"Deus pôs sobre a Cabeça de Maria uma coroa de preço infinito, ou, melhor pôr uma prerrogativa que lhe e própria, Maria tem direito a todas as coroas. A coroa do mérito e da virtude, laurea virtutis, porque é a única criatura humana que nunca contraiu e nem cometeu pecado, sobrepujando em santidade aos anjos e serafins. A coroa da ciência e da doutrina, laurea doctoralis, pôr que ela conheceu todos os segredos do verbo e o livro da vida lhe foi revelado. A coroa do combate e da vitoria, corona triunphalis, porque conquistou as falanges do inferno e exterminou todas as heresias. A coroa do mérito e da coragem, corona muralis, porque defendeu os muros da cidade santa contra o furor dos sitiantes, preservando da ruína os assediados e pôr ela conquistamos o direito de cidadão do céu. A coroa de núpcias e de esposa, corona nuptialis, porque, sem perder seu diadema de virgem, ela foi associada pôr um matrimonio inefável a fecundidade da divina natureza. A coroa real e sacerdotal, corona regni, infuia sacerdotii, porque, tendo dado a vida a quem é rei e sacerdote pôr excelência, participou e participará eternamente da autoridade do seu comando, do mérito da sua imolação. A coroa ... mas que profundezas nos metemos a sondar, ó filhos meus? Se tudo que da natureza passa às mãos de Deus, torna-se objeto da sua onipotência, se todos somos reis, e somos coroados, se em nós refulgem raios, em Maria descansa o sol. Se para uns correm as águas das fontes, em Maria se despeja o mar. Se alguns tem a participação medida, Maria tem a soberania absoluta, de tal modo que as coroas de graça que cingem a sua fronte correspondem à esplendida manifestação da coroa de gloria que a espera no céu".

PIO X -
(D.Frei Vitorino Facchinetti, O.F.M.)
Editora Vozes Petropólis - 1938
Pgs. 343,344

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mensagem de Natal do Papa Bento XVI




Para compreender melhor o significado do Natal do Senhor, gostaria de acenar brevemente à origem histórica desta solenidade.
O ano litúrgico da Igreja, de facto, não se desenvolveu inicialmente partindo do nascimento de Cristo, mas da fé na ressurreição. Por isso, a festa mais antiga do Cristianismo não é o Natal, mas a Páscoa: a ressurreição de Cristo funda a fé cristã, está na base do anúncio do Evangelho e faz nascer a Igreja. Por isso, ser cristão significa viver de maneira pascal, fazendo-se envolver pelo dinamismo que se originou no Baptismo e que leva a morrer para o pecado e a viver com Deus (cf Rm 6,4).

A primeira pessoa a afirmar com clareza que Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro foi Hipólito de Roma, no seu comentário ao livro do profeta Daniel, escrito cerca de 204. Este exegeta nota, depois, que nesse dia se celebrava a Dedicação do Templo de Jerusalém, instituída por Judas Macabeu no ano 164 antes de Cristo. A coincidência de datas significaria, então, que com Jesus, aparecido como luz de Deus na noite, se realiza verdadeiramente a consagração do templo, o Advento de Deus nesta terra.
No Cristianismo, a festa do Natal assumiu uma forma definida no séc. IV, quando tomou o lugar da festa romana do “Sol invictus”, o sol invencível, colocando assim em evidência que o nascimento de Cristo é a vitória da verdadeira luz sobre as trevas do mal e do pecado.

Todavia, a particular e intensa atmosfera espiritual que rodeia o Natal desenvolveu-se na Idade Média graças a São Francisco de Assis, profundamente enamorado pelo homem Jesus, o Deus-Connosco. O seu primeiro biógrafo, Tomás de Celano, conta que São Francisco “acima de todas as outras solenidades, celebrava com inefável carinho o Natal do Menino Jesus, chamando festa das festas ao dia em que Deus, feito pequena criança, tinha surgido de um seio humano” (Fonti Francescane, n. 199, p. 492).
Desta devoção particular ao mistério da encarnação teve origem a famosa celebração do Natal em Grécio (1223, ndr). Ela foi provavelmente inspirada pela peregrinação de São Francisco à Terra Santa e pelo presépio de Santa Maria Maior, em Roma. O que animava o pequeno pobre de Assis era o desejo de experimentar de forma concreta, viva e actual a humilde grandeza do evento do nascimento do Menino Jesus e comunicar essa alegria a todos.
Na primeira biografia, Tomás de Celano fala da noite do presépio de Grécio de modo vivo e tocante, oferecendo um contributo decisivo para a difusão da tradição natalícia mais bela, a do presépio. A noite de Grécio, de facto, voltou a dar ao Cristianismo a intensidade e a beleza da festa do Natal, educando o Povo de Deus a colher a sua mensagem mais autêntica, o seu calor particular, e a amar e adorar a humanidade de Cristo.
Esta aproximação particular ao Natal ofereceu à fé cristã uma nova dimensão. A Páscoa tinha centrado a atenção sobre o poder de Deus que vence a morte, inaugura a vida nova e ensina a espera no mundo que virá. Com São Francisco e o seu presépio, eram colocados em evidência o amor indefeso de Deus, a sua humildade e benignidade, que na Incarnação do Verbo se manifesta aos homens para ensinar um novo modo de viver e de amar.

Ao aproximarmo-nos do Natal, recordou o papa, a Igreja convida a nos dispor com fervor e simplicidade à celebração do Nascimento do Salvador.

A liturgia desta festa foi se aprimorando com o passar do tempo. A primeira pessoa que afirmou que Jesus nasceu em 25 de dezembro foi Hipólito de Roma, por volta do terceiro século.

Porém, a atmosfera particular que se respira nesta celebração natalina foi favorecida sobretudo por São Francisco de Assis, devido ao especial amor e devoção que este santo professava ao mistério da encarnação do Filho de Deus.

Tomás de Celano, o biógrafo de São Francisco, narra a intensidade com que o pobrezinho de Assis vivia e celebrava a noite de Natal, a partir da maravilhosa experiência que teve diante do presépio de Greccio.

Eis a saudação do papa em português:

"Queridos irmãos e irmãs, a tradição natalícia mais bela, que é o presépio, foi criada por São Francisco de Assis, para recordar a todos como Deus Se revela nos ternos braços dum Menino. A sua condição de criança indica-nos como podemos encontrar Deus e gozar da sua presença. É à luz do Natal que melhor se compreendem estas palavras do Senhor: «Se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, não entrareis no reino dos Céus». Amados peregrinos de língua portuguesa, a todos desejo um Santo Natal, portador das consolações e graças do Deus Menino, a quem vos encomendo ao dar-vos a minha Bênção".

UM MINUTO COM MARIA



Devoção pouco conhecida e divulgada, um minuto com Maria consiste em meditar durante um minuto em qualquer aspecto da vida de Nossa Senhora ou da doutrina mariana e em seguida rezar uma Ave Maria.

É uma devoção imensamente útil para os que trabalham muito e não têm tempo para dedicar mais tempo à oração, mas mesmo assim querem diariamente sentir a protecção desta tão querida e bondosa Mãe.

“Sois toda bela, ó Maria, e mancha não existe em Vós.
Como é bela, como é suave, nas delícias, a Vossa Imaculada Conceição!
Vinde, vinde do Líbano;
vinde, vinde, Vós sereis coroada!

Avançais como a aurora resplandecente,
Vós trazeis as alegrias da salvação.
Por meio de Vós, levantou-se o Cristo Deus,
Sol da Justiça, ó brilhante Porta da Luz!

Como o lírio entre os espinhos,
Assim, entre as jovens, Vós sois a Virgem abençoada.
As Vossas vestes brilham e são brancas como a neve,
O Vosso rosto é como o sol.
Jardim fechado, Fonte selada, Mãe de Deus
e Paraíso da Graça!

A chuva cessou e desapareceu,
o Inverno foi-se e as flores surgiram.
E Sobre a Terra uma voz se fez ouvir,
tão doce voz, voz das pombas.

Voai até nós, ó pomba infinitamente bela!
Levantai-vos, apressai-vos e vinde!”

(Oração do século XIV)

Fonte: Vida Espiritual Católica