domingo, 12 de fevereiro de 2012

Maria, doa-nos a espontaneidade do teu Coração



A espontaneidade faz parte dos grandes valores da vida que vivificam o coração da pessoa, porque o mantém aberto e dócil à verdade. Isso pode ser verificado claramente nas crianças: quem, mais do que elas, podem nos ensinar a ser espontâneo? Um dom, este, que floresce no terreno da sinceridade!

Mestres de espírito convergem sobre o fato de que a espontaneidade é a verdadeira essência da oração, porque é aquilo que torna a oração autêntica: livre de hipocrisias e de meias verdades - ou de meias mentiras -, nos apresenta a Deus para “adorá-Lo em espírito e verdade” (Jo 4, 23). Os diálogos entre as pessoas seguem o mesmo itinerário; se faltasse a espontaneidade no diálogo, não existiria uma verdadeira compartilha daquilo que está realmente dentro de nós. Sem a espontaneidade na oração, não poderia existir o "diálogo do coração", a "oração do coração" com Deus; seria como um dia sem sol: cinzento!

A Virgem Maria nos mostra, com o seu exemplo iluminador, que a espontaneidade é uma constante do seu Coração Imaculado, basta pensar em quando “se dirigiu apressadamente para encontrar Isabel”, imediatamente depois da Anunciação (cfr. Lc 1, 39). Sobre as asas da Caridade e da Verdade, que Cristo seu Filho personifica, Nossa Senhora chega à casa de Isabel e, naquele encontro, marcado pela espontaneidade, acontece a compartilha do maior dom: o Espírito Santo. Isabel e João Batista exultam de alegria e a Virgem proclama o seu magnificat nascido da espontaneidade do seu coração repleto do Amor de Deus.

Somente às almas humildes o Senhor concede os mais altos e consoladores dons do Seu Espírito: o amor, a alegria, a paz... Somente aos corações que se tornam crianças, o Pai confia o Reino dos Céus. Grande inimigo da espontaneidade é o cálculo humano das “vantagens-desvantagens”, acompanhado do juízo mesquinho e não da sabedoria do coração.

Para saborear os dons do Espírito, é preciso também colocar de lado todo cálculo interessado; para se tornar amigos da espontaneidade, o Senhor com sua Mãe vêm liberar-nos dos preconceitos que aprisionam o coração e o sufocam. Somente assim seremos mais humanos, porque realmente livres. O Evangelho é um convite contínuo a esta conversão do coração e encoraja todos ao cântico da espontaneidade, típico das pessoas simples e humildes! Quantas profissões de fé, exaltadas pelo Senhor, nasceram de um coração semelhante: aberto à verdade! O Evangelho, seja no seu conteúdo seja no seu estilo, nos revela e nos doa a alegria da Boa Nova que, espontaneamente, dilata o coração sobre as asas da caridade e da verdade.

O evangelista Lucas, que hoje festejamos, nos testemunha, também ele, todas essas realidades; basta pensar na infância de Jesus, que abre nos nossos corações panoramas de extraordinária simplicidade, como justamente a narração da Visitação. Os Pais testemunharam, desde o início, que é o Espírito Santo o Autor principal desses sagrados textos evangélicos. Ele se serviu de humildes servidores, que estavam bem distantes de cálculos humanos.

Por isso, não condiz nem à natureza nem ao conteúdo do Evangelho, uma sua leitura feita com certos preconceitos, com certos cálculos, com certos esquemas pré-confeccionados, como se aqueles que o escreveram não tivessem sido impulsionados pelo Espírito, mas por hipotéticos cálculos para tornar tudo mais interessante! Jesus disse que a ação do Espírito Santo é como o vento: ouve-se a voz, mas não se sabe de onde vem e para onde vai (cfr. Jo 3, 8); assim é de cada um que se faz discípulo deste Espírito à escola de Jesus e de Maria: deixa tudo - mesmo que, como frequentemente acontece, não imediatamente, mas aos poucos - para seguir o Senhor, se tornando sempre mais espontâneo, sempre mais aberto, com o coração livre para ser transportado por Deus para onde Ele quiser.

Pedimos com insistência a graça da espontaneidade, hoje não pouco ameaçada por uma cultura da vantagem, que o mundo propugna com a espada alçada, desprezando aqueles que, ao invés, se fazem pobres de espírito, realmente últimos, como Jesus e Maria: “Depôs poderosos de seus tronos e a humildes exaltou” (Lc 1, 52).


Fonte: Padre Luciano Alimandi

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