sexta-feira, 9 de março de 2012

HOMILIA PARA O PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA DE 2012

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

A forte insistência da Palavra de Deus proclamada no Primeiro Domingo da Quaresma é a conversão: mergulhados nos porões de nossa intimidade, reconhecermos o que não está bem e querermos mudar... Devemos sempre querer ser melhores hoje do que ontem. Ser melhores, significa ser mais humildes, bondosos, amorosos e ternos uns com os outros.
A página do Livro de Gênesis apresenta este Deus “louco de amor” pela humanidade, insistindo em selar Aliança! Aliança implica em fidelidade! Quando o ser humano deixa Deus falando sozinho, virando-lhe as costas, este mesmo Deus tão misericordioso, teima em retomar a amizade com sua criatura predileta: a PESSOA!
O dilúvio lembrado neste texto, remete-nos ao nosso Batismo, no qual somos lavados de todas nossas misérias e definitivamente adotados como filhos e herdeiros de Deus. Já o arco-íris lembra a ponte que Deus constrói entre o céu (a eternidade) e a terra (a humanidade), selando Sua aliança que nos permite tomar parte em Sua divindade, enquanto Ele se submete à nossa humanidade!
O Evangelho de São Marcos é um convite ao deserto. Deserto implica em silêncio, interiorização. Olharmos para dentro de nós. Quanto mais olharmos para dentro de nós mesmos, menos encontraremos defeitos nos outros. Assim, nosso exercício de não falarmos mal de ninguém durante a Quaresma, torna-se mais deleitoso. Mas em nossa intimidade, seguramente encontraremos algum mofo, bolor, entulho, pó e mal cheio a serem purificados na riqueza que o Tempo Quaresmal nos propõe: a conversão! Porém, não basta mudarmos o errado e pronto. É preciso também, crer no Evangelho. E o Evangelho tem suas exigências, quando colocado em prática na relação hodierna com os outros. Ele nos propõe um novo projeto de vida, pautado em valores essenciais, como o amor gratuito, a verdade, a justiça, a liberdade e a paz!
Imagino o quanto Deus gosta de ser reconhecido no rosto dos irmãos, especialmente os enfermos, sofredores e surrados pelas injustiças de nosso mundo. De que adianta passarmos a mão no ostensório, se o Cristo Sacramentado não nos remete ao sacrário humano, tantas vezes desrespeitado em seus direitos básicos, como a Saúde Pública, por exemplo. Enquanto não nos esforçarmos por maior dignidade humana, estaremos falando com o Senhor, como se fala em telefone desconectado.
São Pedro, em sua Primeira Carta, também lembra o dilúvio e nos propõe a alegoria da arca: “À arca corresponde o batismo, que hoje é a vossa salvação. Pois o batismo não serve para limpar o corpo da imundície, mas é um pedido a Deus para obter uma boa consciência, em virtude da ressurreição de Jesus Cristo”. No dia de nosso Batismo, recebemos como dom precioso de Deus, a fé, que nos possibilita a fidelidade diante da Aliança de Amor de Deus para com seus amados filhinhos, nascidos do “útero da Igreja, a Pia Batismal!”.

Que o início da Quaresma nos ajude a sermos Anjos Bons uns para os outros. Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, meu abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Gn 9,8-15; Sl 24(25); 1 Pd 3,18-22 e Mc 1,12-15)

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