terça-feira, 22 de maio de 2012

PROBLEMAS DA SAÚDE NA CULTURA DE MORTE

Pe. Gilberto Kasper pe.kasper@gmail.com Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. Falamos, hoje, com particular insistência, de uma cultura da morte. Podemos estendê-la à saúde para advertir acerca de uma cultura de doença. A pessoa humana é muito mais autora que vítima da doença que eventualmente a atinge. Entramos no campo da responsabilidade em todos os campos da atividade para não deteriorar a condição de vida. Nos Estados Unidos – para citar um país desenvolvido e longe daqui – morrem por ano em média, 92.000 pessoas por erro médico; 120.000 por remédios por eles receitados; e 240.000 por auto-medicação. Portanto, a própria medicina não é inócua e exige maior responsabilidade no seu uso. Uma segunda grande chaga provém da atuação sexual descontrolada. Falamos de doenças sexualmente transmissíveis, desde a Sífilis à AIDS; desde a pederastia à infidelidade conjugal... Não há necessidade de falar do aborto e da eutanásia, que não apenas eliminam uma vida humana, mas afetam também catastroficamente todos os envolvidos. Todo abuso contra a vida repercute na qualidade de vida. A cultura da morte encontra-se na violência e na guerra, de modo mais conspícuo. Além das mortes e destruições, deixam um rastro implacável de sequelas e malefícios. São horrendos. Mas provém da vontade humana. Representam falta de humanismo e de responsabilidade. Mesmo os campos mais básicos para a promoção da saúde não estão isentos do perigo. Seja exemplo a alimentação e o esporte. O excesso leva a catástrofes. A comida e a bebida, principalmente de teor alcoólico, fora da medida do necessário, prejudicam. O esporte profissional, principalmente em algumas categorias, leva inevitavelmente a encurtar os dias de vida. Toda ação má constitui um atentado contra a própria vida. Não por nada a Sagrada Escritura garante que “assassinos e homens de fraude não verão a metade da vida” (Sl 54,24). Ou que o malfeitor não vai de cabelos brancos para a sepultura. Morre bem antes. A saúde envolve toda a moral. Pecar não é apenas afastar-se de Deus, mas também reduzir o teor de vida, até a catástrofe final. Por isso, as terapias farmacológicas não bastam. Necessitamos da Cristoterapia e da Hagioterapia, ou seja, da graça divina para viver em plenitude (cf. Fonte: GRINGS, Dadeus. Cartilha da Saúde – Um Apelo da Bioética. Presscom, Porto Alegre (RS), 2008, pp. 31-32). Gosto sempre de lembrar a frase do Dr. José Eduardo Dutra de Oliveira, Professor de Nutrologia: “Somos aquilo que comemos!”, completando com a de minha autoria: Somos aquilo que escolhemos fazer por nós e pelos outros!

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