quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Este ou aquele... Ou, este com aquele!

Uma das formas de definirmos nossa fé é que ela faz viver novo modo, novo comportamento. E muitas vezes entendemos isso com um modo que exclui o outro. Dizíamos que o mundo é mau, que ele não presta, que é do diabo – do adversário; temos que fugir do mundo, evitá-lo. E isso leva até a atitudes descabidas de vivermos atrás de expulsar demônios... A partir do Concílio Vaticano II, cujo cinquentenário estamos comemorando neste Ano da Fé, começamos a descobrir que “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo.” (GS, 1). Então, há também alegrias e esperanças no mundo de hoje? Há possibilidade de sadia esperança e robusto otimismo? Pois é! É isso mesmo. É possível lançar um olhar de amor para o mundo em que vivemos, amor que inspira crescimento, compromisso... sem desviarmos o olhar dos que carecem de tudo. Há muito que se amar em torno de nós, além de nós e, às vezes, apesar de nós! Estamos vivendo o mês de Dezembro. Nele é impossível deixar de pensar em viver o Natal. Tantas vezes insistimos que o Natal é Jesus, com seu nascimento decisivo para a história da humanidade e para a nossa fé. Ele é a imagem do Deus invisível, ele é o centro de nossa adesão ao plano de Deus, Ele é o caminho, a verdade e a vida! E tanta gente faz do Natal apenas a consagração do consumismo, a obrigação de frequentar as catedrais das compras – os shopping centers -, deixar-se paralisar pela febre do ter... Será que basta se condenar o endeusamento do consumo? Será que resolve alguma coisa lançar no inferno este mundo de correria, de competição, de autoafirmar-se pelo que se tem e pela qualidade do que compramos? Será que é bom, é o melhor, caracterizar nosso mundo como os que vivem com Deus, no seu canto, e os que fazem do ter o seu deus, bem distantes de nós? Ora, a fé se estabelece no diálogo entre o Deus que ama, que se propõe e se revela e aquele que acolhe, responde e se transforma! É hora de estabelecermos diálogo com as pessoas que estão se arriscando a se esvaziar de vida, consumidos pelas compras. Não é verdade que vivemos num ambiente que favorece este surto de consumismo, com 13º salário, fim de ano, férias? Não é verdade que muitos passam o ano inteiro esperando esta hora de poder comprar algo mais? Será que não é possível iluminar pela fé esta ânsia de comprar, esconder-se atrás dos bens matérias? Será que não podemos encontrar critérios para limitar o fogo do consumismo, para controlar a corrida às lojas? Não é possível nos ajudar a não ficar dependentes do que temos e compramos? Será que não é possível viver o Natal de Jesus com as compras que nos permitam viver com dignidade, com alegria, sem deixar de lado as angústias e sofrimentos dos pobres? Tenham todos um feliz Natal, com Jesus e com os outros! Pe. Nasser Kehdy Netto, administrador arquidiocesano

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