segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A HUMANIZAÇÃO DOS HOSPITAIS E CASAS DE SAÚDE

Pe. Gilberto Kasper pe.kasper@gmail.com Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. Investir em saúde, para muitos, tornou-se sinônimo de cuidar de hospitais e centros de saúde. Mas geralmente se pensam essas instituições como espaço para tratar doentes. Calculam-se os leitos por número de habitantes para se certificar da condição ideal de atendimento à saúde pública. Veem-se esses ambientes como uma espécie de oficina de reparos humanos. Destinam-se aos consertos das avarias. Vai-se ao hospital ou ao centro de saúde para tratar de algum distúrbio e, depois de suficientemente medicado, voltar para casa. Na verdade não deveria essa ser a função primordial dessas instituições de saúde. Não se poderiam limitar às doenças e, consequentemente, a remediar situações penosas. Pelo contrário: sua função é irradiar saúde, o que equivale a dizer que deveriam ser as grandes promotoras da saúde. As internações são geralmente muito caras e desumanas. Nos primórdios, hospital era somente para quem não tivesse condições de ser tratado em casa. Hoje se insiste na humanização dos hospitais e casas de saúde, não só no que se refere aos pacientes, mas principalmente no que diz respeito aos familiares. Perdeu-se, nos hospitais, não só a dimensão da subjetividade dos pacientes, como também a intersubjetividade, que os liga aos parentes, como também a intersubjetividade, que os liga aos parentes e amigos. Antes de mudar o sistema, é preciso mudar a mentalidade. Chega de reclamação de pessoas que pedem socorro, porque estão sendo judiadas. E o pior é que não há a quem recorrer para apresentá-las! Os médicos dialogam com exames e não com pacientes, muito menos com familiares! Os hospitais de nossa cidade metropolitana se congestionam, porque os Governos dos Municípios vizinhos preferem comparar Vans e Coletivos para enviarem seus enfermos a serem atendidos pela excelência de nossa medicina, ao invés de construírem hospitais e casas de saúde capazes de atender seus próprios munícipes. Perdi a conta de quantas vezes precisei “gritar por socorro” em favor de pessoas que morreriam nos Postos de Saúde, caso não fossem encaminhadas imediatamente a algum hospital. Sempre fui prontamente atendido seja por nosso Vice-Prefeito e sua Assessoria, seja pelo Secretário Municipal da Saúde e seus Colaboradores. Mas convenhamos: não é por conta de prestígio, do “jeitinho brasileiro” e da direta interferência dos Responsáveis pela Saúde, que podemos considerar nossa Saúde boa! As coisas deveriam acontecer naturalmente, sem que se tivesse de interceder para salvar vidas. E quantas já conseguimos salvar porque o eco de nosso “grito” chegou à sensibilidade de nossos Servidores! Não apontamos culpados, pelo contrário, agradecemos a sempre benevolência, que sabemos, por sua vez, fazem o que podem. Se as verbas destinadas à Saúde realmente chegassem ao seu destino com transparência, seria possível A Humanização dos Hospitais e Casas de Saúde.

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