domingo, 2 de junho de 2013

HOMILIA PARA O NONO DOMINGO DO TEMPO COMUM


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Eu vos chamo, ó meu Deus, porque me ouvis;
inclinai o vosso ouvido e escutai-me!” (Sl 16,6).

          “Estamos precisamente no início do mês de junho, mês de muitas festas: dia 7, celebramos a solenidade do Sagrado Coração de Jesus; depois teremos as festas juninas, pelas quais admiramos e celebramos alguns irmãos nossos, especialmente santificados pelo Espírito do Senhor: Santo Antônio, dia 13, Padroeiro de nossa Reitoria que neste ano celebra os 110 anos de sua abertura, carinhosamente conhecido por todos como Santo Antoninho, Pão dos Pobres, São João, o Batista, dia 24, São Pedro e São Paulo, dia 29, em que nosso novo Arcebispo Metropolitano, DOM MOACIR SILVA, recebe das mãos do  Santo Padre o Papa Francisco, o Pálio na Basílica de São Pedro, no Vaticano em Roma.
          Hoje, especialmente hoje, como todos os domingos, é festa. Grande festa, pois é domingo, dia semanal em que celebramos a Páscoa do Senhor e nossa Páscoa. Como, aliás, diz uma das orações do Missal: ‘Senhor, Pai santo, é nosso dever e salvação, dar-vos graças e bendizer-vos, porque, neste domingo festivo, nos acolhestes em vossa casa. Hoje, vossa família, reunida para escutar vossa Palavra e repartir o Pão consagrado, recorda a ressurreição do Senhor, na esperança de ver o dia sem ocaso, quando a humanidade inteira repousará junto de vós. Então, contemplaremos vossa face e louvaremos sem fim vossa misericórdia’.
          O Senhor nos fala, quando são proclamadas as Escrituras. Somos convidados a alimentarmo-nos dela, comungando-a como comungamos o pão consagrado, que é Seu próprio Corpo dado a nós, tornando nosso coração seu ‘Porta-Jóias’, seu ‘Sacrário’ ou seu ‘Tabernáculo’. Que tal comunhão da Palavra e da Eucaristia continue ressoando aos nossos ouvidos e aquecendo nosso coração.
          ‘Contemplamos neste Nono Domingo do Tempo Comum o exemplo de fé deixado pelo oficial romano. Seu testemunho nos anima a celebrar e fortalece nossa caminhada neste Ano da Fé. Segundo o Papa Emérito Bento XVI, ‘a fé vivida abre o coração à graça de Deus, que liberta do pessimismo’, e o Ano da Fé pode ser compreendido como ‘uma peregrinação nos desertos do mundo contemporâneo, em que se deve levar apenas o que é essencial: o evangelho e a fé da Igreja’.
          A nos une na escuta da palavra de Deus. Ela reconhece fronteiras e faz de muitos povos e grupos um só povo comprometido com o evangelho de Jesus.
          Somos convidados a rezar por todas as pessoas, e todas podem ter acesso à casa que é de todos, a Igreja. A fé não conhece fronteiras nem grupos étnicos ou religiosos. Para ser fiel a Jesus Cristo, é preciso fidelidade ao evangelho em sua essência’ (cf. Liturgia Diária de Junho de 2013 da Paulus, pp. 17-19).
          A Palavra nos coloca hoje frente a uma admirada e elogiada por Jesus. Que ? ‘A fé que não conhece fronteiras nem raças. Jesus Cristo e o Pai que ele veio revelar são os mesmos em qualquer parte do mundo. Pode acontecer que, como aconteceu com Jesus, encontremos mais fé fora que dentro de ambientes religiosos. Isso nos deve manter em atitude humilde e respeitosa. O respeito é devido também a quem não crê ou professa a nossa mesma fé. Temos em comum a mesma fé no Senhor morto e ressuscitado por nós, mas cada povo deve expressar a própria fé a partir de sua cultura e realidade’.
          Os que moram mais perto da Igreja não são necessariamente os que têm mais fé. Muitos cristãos tratam a religião como tradição de família ou forma de aparecer; mas no fundo do seu coração não acreditam, não dão crédito a Deus. Dirigem-se por seu próprio nariz, sem deixar Deus se intrometer nos seus negócios... Decidem por conta própria o que lhes convêm, Deus e religião à parte. E mesmo quando estão em apuros por interesse próprios. Diferente é a fé do oficial romano pagão, que usa a magnífica imagem tirada da vida militar para reconhecer o poder de Jesus e lhe pedir pela vida de seu empregado. Este pagão reconheceu em Jesus a presença do Deus da vida.
          Então poderíamos perguntar e nos questionar: Será que também hoje se encontra tamanha fé entre os que não pertencem oficialmente à Igreja, mas talvez no coração estejam mais próximos de Jesus do que nós? Não apenas os pagãos que ainda não ouviram o Evangelho..., mas os pagãos de nossas selvas de pedra, de nossa sociedade, que abafou o Evangelho a tal ponto que, apesar dos muitos templos, ela já não chega ao ouvido das pessoas. Tal que se diz ateu, talvez porque nunca encontrou verdadeiro cristianismo, ou tal que vive dissoluto, por ter sido educado assim; ou então, tal que busca Deus com o coração irrequieto de Santo Agostinho... todos esses não receberão maior elogio de Deus do que os cristãos acomodados?
          Graças a Deus que sua Palavra hoje nos faz tomar consciência disso. É muito bom para todos nós, cristãos, discípulos e discípulas de um Mestre muito especial, Jesus Cristo. É bom e libertador, porque nos ajuda a descobrir a riqueza dos outros, o modo como Deus se manifesta em todo o universo humano. É bom e libertador, porque aprendemos a dar mais valor a esse modo único no qual Deus se dá a conhecer em Jesus Cristo.
          Que o Espírito Santo de Deus e seu santo modo de operar nos ilumine, para sermos humildes e termos a admirável fé que teve o oficial romano, não judeu, portanto pagão, que generoso e solidário com os outros, foi capaz de ver, no ser divinamente humano, Jesus de Nazaré, a presença perfeita do Deus solidário, o Deus da vida” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum I de 2013 da CNBB, pp. 25-30).
          Insisto sempre comigo mesmo e com meus interlocutores, que nossa fé só amadurecerá na medida em que for comprometida com os valores essenciais ao cristão: amor gratuito, verdade, justiça, liberdade e paz. A vivência em nossas Comunidades, Pastorais e Movimentos de uma madura, logo comprometida, só será verdadeira, na medida em que tivermos coragem de profunda conversão, coerência entre o que cremos e vivemos e bom senso, que nos incentive ao zelo e sensibilidade pastorais sempre!
Sejam sempre muito abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler 1Rs 8,41-43; Sl 116(117); Gl 1,1-2.6-10 e Lc 7,1-10).



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