domingo, 11 de agosto de 2013


HOMILIA PARA O DÉCIMO NONO DOMINGO COMUM
DIA DOS PAIS

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“É preciso vigiar e ficar de prontidão;
em que dia o Senhor há de vir não sabeis, não!” (Mt 24,42.44).

          “A vida é uma caixinha de surpresas. A toda hora somos surpreendidos pelo inesperado, porém nem sempre estamos suficientemente preparados, sobretudo para as situações desagradáveis ou, eventualmente, até dramáticas da vida. Por isso nos reunimos todos os domingos com nosso melhor mestre, o Senhor Jesus, para ouvir e assimilar dele a verdadeira sabedoria para viver a vida com perene sentido.
          ‘O espírito da liturgia deste domingo quer suscitar em nós o espírito de constante vigilância e serviço, tendo o coração voltado para Deus. O reino que ele nos oferece por meio de seu Filho é o verdadeiro tesouro que os ladrões não roubam nem a traça corrói. Com confiança e fé celebramos em comunhão com os vocacionados para a vida em família, especialmente com nossos pais.
          Com os olhos da fé, a palavra de Deus nos convida a avaliar nossa caminhada e a nos manter sempre vigilantes e preparados para acolher o Senhor, buscando em tudo a sua vontade.
          A vigilância de Israel na noite da libertação é modelo para todo cristão até a libertação final. A comunidade, pequeno rebanho, precisa estar sempre vigilante e pronta para o seu Senhor. A fé é a força dinâmica que projeta ao futuro a vida do cristão.
          A Eucaristia nos leva a partir o pão juntos. Neste dia oferecemos, com o pão e o vinho, a vida e a missão dos pais, responsáveis por manter a família unida e fraterna’ (cf. Liturgia Diária de Agosto de 2013 da Paulus, pp. 42-45).
            É bom nos conscientizarmos de que ‘o fim para o qual vivemos reflete-se em cada uma de nossas ações. A cada momento pode chegar o fim de nossa vida. Seja este fim aquilo que vigilantes esperamos, como a noite da libertação encontrou os israelitas preparados para saírem – como lemos na página do Livro da Sabedoria -, e não como uma noite de morte e condenação, como o empregado malandro que é pego de surpresa pela volta inesperada de seu patrão – como lemos no Evangelho de Lucas’.
          ‘Devemos preparar-nos para o definitivo de nossa vida, aquilo que permanece, mesmo depois da morte. Mensagem difícil para o nosso tempo de imediatismo. Muitos nem querem pensar no que vem depois; contudo, a perspectiva do fim é inevitável. Já outros vêem o sentido da vida na construção de um mundo novo, ainda que não seja para eles mesmos, mas para seus filhos ou para as gerações futuras, se não tem filhos. Assim como os antigos judeus colocavam sua esperança de sobrevivência nos seus filhos, estas pessoas a colocaram na sociedade do futuro. É nobre. Mas será suficiente?
          Jesus abre outra perspectiva: um tesouro no céu, junto a Deus. Ali a desintegração não chega. Mas, olhar para o céu não desvia nosso olhar da terra? Não leva à negação da realidade histórica, desta terra, da nova sociedade que construímos? Ou será, pelo contrário, uma valorização de tudo isso? Pois, mostrando como é provisória a vida e a história, Jesus nos ensina a usá-las bem, para produzir o que ultrapassa a vida e a história: o amor que nos torna semelhantes a Deus. Este é o tesouro do céu, mas ele precisa ser granjeado aqui na terra.
          Para a cultura judaica, quanto maior o número de filhos, maior significava a graça de Deus. Em nossos dias, quanto maior o número de filhos, maior parece ser a desgraça. Tenta-se a todo custo controlar a natalidade, ao invés de planejá-la. Como não se investe o suficiente em educação, saúde, sanidade básica, oferecendo oportunidades aos cidadãos, jogam-se ‘migalhas’ para que sobrevivam. Refiro-me às tais bolsas família, escola e até Copa do Mundo, R$ 90,00! Para o tal controle da natalidade, aprovam-se leis e medidas que castram a sociedade, ao invés de educá-la a ser gente!
          A visão cristã acompanha os que se empenham pela construção de um mundo novo, solidário e igualitário, para suplantar a atual sociedade baseada no lucro individual. Mas não basta ficar simplesmente neste nível material, por mais que ele dê realismo ao empenho do amor e da justiça. A visão cristã acredita que a solidariedade exercida aqui na História é confirmada para além da História. Ultrapassa nosso alcance humano. É a causa de Deus mesmo, confirmada por quem nos chamou à vida e nos fez existir. À utopia histórica, a visão cristã acrescenta a fé, prova de realidade que não se vêem. A fé, baseada na realidade definitiva que se revelou na ressurreição de Cristo, nos dá a firmeza necessária para abandonar tudo em prol da realização última – razão do nosso existir’.
          Lembro, que na minha infância, falar na morte era bem mais natural do que nos dias atuais. Hoje virou tabu falar em morte, como se as pessoas fossem imortais. Só nos damos conta de que morreremos, quando a morte passa perto de nós, levando-nos pessoas que amamos. Antigamente as pessoas morriam no aconchego familiar e hoje, na frieza e solidão de Hospitais, especialmente quando adormecem para a eternidade na geladeira de Unidades de Terapia Intensiva. Precisamos retomar a naturalidade da morte, que gosto de comparar ao nosso ‘terceiro e definitivo parto. Nós cristãos, partimos primeiro do útero materno; depois do útero da Igreja, a Pia Batismal e, finalmente, do útero da terra (vida terrena), em direção à vida definitiva, acostando-nos ao amoroso colo de Deus, nosso Pai! O Ano da Fé amadurece nossa certeza de que morrendo, veremos Deus como Ele é. Nossa fé se debruça sobre a esperança, de que vendo como Deus é, seremos santos!
          Celebramos, neste Décimo Nono Domingo do Tempo Comum o Dia dos Pais! E é justamente no Dia dos Pais, que no Brasil iniciamos também, A Semana da Família, uma das Prioridades de nosso Plano Arquidiocesano de Pastoral! Com toda a família franciscana, celebramos a memória (ou festa) de Santa Clara de Assis, uma mulher que, com São Francisco de Assis, encontrou o verdadeiro tesouro que dá sentido pleno à sua vida. Por Jesus Cristo se apaixonou e com ele amorosamente se aliou para todo o resto de sua vida: Jesus Cristo, pobre (=desapegado de tudo), humilde, crucificado. Ainda, nesta semana, dia 14, quinta-feira, celebramos a memória do mártir São Maximiliano Kolbe, um sacerdote franciscano que, na última guerra mundial, preso num campo de concentração, num gesto de total desapego, entregou a própria vida para salvar a vida de um pai de família condenado à morte.
          Na busca que fazemos do verdadeiro tesouro como forma de vivermos em estado de serena vigilância ‘para o que der e vier’, Jesus vem ao nosso encontro com suas sábias palavras” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum I da CNBB, pp. 99-105).
          Não deixemos para amar amanhã. Pode ser que hoje seremos chamados a prestar contas de nossa vida, passando pela temível morte, diante do Pai que nos amou primeiro, mas nos medirá pelo amor amado a cada dia de nossa vida!
          Sejam todos muito abençoados, especialmente todos os Pais vivos. Rezemos, também, pelos que já nos precedem no colo do Pai dos pais falecidos! Com ternura e gratidão, o abraço fiel e amigo,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Sb 18,6-9; Sl 32(33); Hb 11,1-19 e Lc 12,32-40).




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